Computador na luta contra o cancro

Detecta e trata doenças em tubo de ensaio

16 maio 2004
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Os cientistas estão mais perto da criação de um minúsculo computador de ADN que pode um dia ser capaz de localizar doenças como o cancro dentro do próprio organismo, para em seguida libertar medicamentos para o tratamento.O professor Ehud Shapiro e os investigadores do Instituto Weizmann, em Israel, desenvolveram o mais pequeno computador bio-molecular do mundo. Isto aconteceu já há alguns anos. Agora programaram-no para analisar informações biológicas de modo a detectar e tratar o cancro da próstata e um tipo de cancro de pulmão em experiências laboratoriais. Mas de que modo conseguiram tal proeza? «Pegamos no nosso computador molecular anterior e o aumentámo-lo com um módulo de entrada e saída. O computador pode diagnosticar uma doença e em resposta produzir uma droga para a doença dentro de um tubo de ensaio», disse Shapiro à Reuters.O computador é tão pequeno que um trilião de aparelhos cabe numa pequena gota de água. A entrada e saída de dados e a programação são feitas com moléculas de ADN, que arquivam e processam informações codificadas sobre os organismos vivos.As conclusões foram publicadas no site da revista Nature e apresentadas em durante um simpósio realizado na Bélgica.No futuro, em vez de biópsias para a remoção de tecidos cancerosos, que em seguida são analisados em laboratório, o paciente poderá receber um diagnóstico feito dentro do próprio tecido pelo computador de ADN.Mas as potencialidades deste novo aparelho vão ainda mais longe. «Poderá um dia ser administrado como um remédio e ser distribuído por todo o corpo pela corrente sanguínea para detectar marcadores de doença de forma autónoma e independente em cada célula», explicou Shapiro.A invenção pode permitir aos médicos o tratamento de casos de cancro em fases iniciais, antes que os tumores se formem, e fornecer medicamentos para as células de difícil acesso, caso a doença se espalhe para outras partes do corpo. «Pode funcionar para qualquer doença para a qual haja um padrão particular de super-expressão ou sub-expressão dos genes que seja característico da doença», segundo Shapiro.Mas este cenário ainda está muito distante. Ainda há muitos obstáculos, admitiu o investigador, e o processo pode levar décadas. As moléculas de ADN, que contêm os dados dos genes humanos na sua dupla hélice, têm uma enorme capacidade de memória. O computador de Shapiro é o modelo molecular de um dos computadores mais simples _ o autómato, que pode responder sim ou não a certas perguntas.Em vez do software, o computador usa enzimas que manipulam o DNA. E é pré-programado de modo a reconhecer as concentrações excessivas ou reduzidas do RNA (um «primo» do ADN) para detectar o cancro, os chamados «marcadores». Se os marcadores indicam uma doença, o próprio computador liberta uma molécula semelhante a um medicamento anti-cancro, que destrói a célula doente.Leonard Adleman, da Universidade do Sul da Califórnia, foi o pioneiro no estudo e dos computadores de ADN, há uma década, usando o ADN num tubo de ensaio para resolver um problema matemático.Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet

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