Compulsão alimentar em adolescentes aumenta risco de uso de drogas

Estudo publicado nos “Archives of Pediatrics & Adolescent Medicines”

13 dezembro 2012
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Os pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos que comem demasiado ou que sofrem de compulsão alimentar parecem apresentar uma maior tendência para experimentarem marijuana ou outras drogas, sugere um estudo recente.
 

A compulsão alimentar consiste na ingestão de uma quantidade de comida superior à que a maioria das pessoas consumiria em situação semelhante. Uma pessoa com compulsão alimentar perde o controlo sobre o que consome na altura do incidente, contrastando com quem come em demasia, em que o indivíduo não perde esse controlo.
 

As conclusões deste novo estudo surgem após dez anos de pesquisa, que envolveram 16.882 pré-adolescentes, adolescentes e jovens, com idades compreendidas entre os nove e os 15 anos à data de início do estudo, em 1995.
 

Os participantes, do sexo feminino e masculino, foram submetidos a inquéritos sobre os seus hábitos alimentares e de consumos de drogas, com a frequência de 12 a 24 meses, entre os anos de 1996 e 2005. Os jovens foram inquiridos sobre o consumo de marijuana, ecstasy, heroína, cocaína, anfetaminas, etc., bem como sobre o uso de tranquilizantes, analgésicos, soporíferos e estimulantes sem prescrição.
 

Os resultados revelaram que as raparigas apresentam uma maior tendência para a compulsão alimentar do que os rapazes. Entre 2,3% e 31% das raparigas e entre 0,3% a 1% dos rapazes entre os 16 e os 24 anos declararam terem passado por episódios de compulsão alimentar.
 

Um estudo anterior tinha indicado que as adolescentes com depressão apresentavam uma tendência duas vezes maior de experienciarem compulsão alimentar do que aquelas que não sofriam de depressão.
 

Apesar de o consumo abusivo de comida e a compulsão alimentar estarem associados a um maior risco de abuso de drogas, não foi determinada uma associação dos mesmos ao consumo excessivo de álcool.
 

Os investigadores encontraram uma associação entre a compulsão alimentar, e não o consumo excessivo de comida, e o excesso de peso/obesidade e o início de sintomas depressivos.
 

Lona Sandom, professora assistente de nutrição clínica na University of Texas Southwestern Medical Center, EUA, não se mostrou surpreendida com os resultados: “ (…) as pessoas utilizam frequentemente a comida para lidarem com estados emocionais, da mesma forma que utilizam drogas”, continuando: “poderão iniciar a compulsão alimentar para de alguma forma melhorarem o estado de humor ou…esconderem emoções negativas. Pode ser por essa mesma razão que se viram depois para a marijuana ou outras drogas”.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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