Compulsão alimentar e toxicodependência partilham padrão de actividade cerebral

Estudo publicado no “Archives of General Psychiatry”

08 abril 2011
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Os indivíduos que têm um comportamento alimentar compulsivo apresentam uma actividade cerebral semelhante à dos toxicodependentes, incluindo uma elevada activação do circuito de recompensa em resposta ao estímulo da comida, dá conta um estudo publicado no “Archives of General Psychiatry”.
 

A obesidade é uma doença crónica que tem uma grande prevalência nos países desenvolvidos, sendo considerada a segunda causa de morte passível de prevenção. Contudo, a maioria dos tratamentos da obesidade não resultam na perda definitiva de peso, pois a maioria dos pacientes recupera o peso perdido ao fim de cinco anos, revelam os autores do estudo liderados por Ashley N. Gearhardt. Estudos anteriores haviam já proposto que os processos de dependência poderiam estar envolvidos na etiologia da obesidade.
 

No presente estudo, os investigadores da Yale University, nos EUA, analisaram a relação entre os sintomas de comportamento alimentar compulsivo, diagnosticados através da Yale Alimentar Addiction Scale (YFAS), e a actividade cerebral, medida através de ressonância magnética funcional, em resposta à alimentação. O estudo analisou 48 adolescentes saudáveis do sexo feminino, que variavam entre magras a obesas, a quem foram fornecidos alimentos muito saborosos (batido de chocolate) e uma solução controlo sem sabor.
 

O estudo revelou que as pontuações obtidas através da YFAS se correlacionavam com uma maior activação de determinadas áreas do cérebro, incluindo o córtex cingulado anterior, córtex orbitofrontal medial e amígdala, em resposta à entrega antecipada dos alimentos. As participantes com pontuações mais elevadas apresentaram maior activação no córtex pré-frontal dorso-lateral e caudado em antecipação a alimentos saborosos e menor activação no córtex orbitofrontal lateral durante a ingestão dos mesmos alimentos.
 

Tal como os autores do estudo previam, as pontuações mais elevadas estavam associadas com regiões do cérebro envolvidas na motivação para comer. O córtex cingulado anterior e o córtex orbitofrontal medial têm sido associados à motivação para o consumo de drogas em toxicodependentes.
 

Em comunicado enviado à imprensa, os autores do estudo concluem que “estes resultados apoiam a teoria de que o comportamento alimentar compulsivo pode ser impulsionado, em parte, por uma antecipação aumentada das propriedades de recompensa da comida. De forma semelhante, os indivíduos viciados são mais propensos a serem fisiologicamente, psicologicamente e comportamentalmente mais reactivos a estímulos relacionados com drogas”.
 

Os investigadores acrescentam ainda que, se determinados alimentos são viciantes, isso poderia explicar, em parte, a dificuldade que as pessoas sentem quando tentam perder peso. Além disso, os autores do estudo chamam ainda a atenção para o facto de a publicidade constante e a disponibilidade de alimentos saborosos e baratos dificultarem a adopção de uma dieta saudável por estes activarem o sistema de recompensa.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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