Comprimidos de insulina poderão vir a ser uma realidade para os diabéticos

Estes novos comprimidos vão certamente significar alterações na qualidade de vida destes doentes

29 agosto 2001
  |  Partilhar:

A insulina é uma hormona produzida no pâncreas que promove a entrada de glicose nas células onde este açúcar é utilizado como fonte de energia para as diversas actividades celulares. Na diabetes, o organismo está impossibilitado de produzir e/ou utilizar convenientemente esta hormona. Disto resulta que não ocorre o transporte da glicose para o interior das células, permanecendo na corrente sanguínea dando origem a uma condição conhecida como hiperglicemia, i.e., elevação da quantidade deste açúcar no sangue.
 

 

Alguns doentes afectados por esta doença têm de injectar diariamente insulina para controlar a glicemia (quantidade de glicose no sangue). No entanto essas injecções podem ser dolorosas, inconvenientes e dispendiosas, sem falar dos condicionamentos sociais muitas vezes associados à sua aplicação.
 

 

Além destes inconvenientes, a insulina é administrada por injecção hipodérmica (aplicada por baixo da pele), de que resulta uma absorção lenta com o consequente delay na normalização dos níveis sanguíneos de glicose. Até agora todas as tentativas para desenvolver comprimidos de insulina têm saído goradas devido ao facto da sua digestão, contrariamente à administração convencional desta substância, resultar numa absorção demasiadamente rápida desta hormona e, portanto, a quantidade de glicose no sangue baixar muito rapidamente provocando um situação inversa à hipergligemia, denominada hipoglicemia.
 

 

Mas acredita-se que este problema tenha sido resolvido. Nicholas Peppas, investigador e professor de química e engenharia bioquímica da Universidade de Purdue, Chicago (EUA), em conjunto com Aaron Foss, seu aluno de pós-graduação, pensam ter ultrapassado limitações inerentes às injecções hipodérmicas de insulina. Estes investigadores apresentaram recentemente uns novos comprimidos de insulina.
 

 

A inovação dos novos comprimidos de insulina encontra-se no seu revestimento que é feito de um novo material que impede a absorção excessivamente rápida da hormona. A degradação destes comprimidos é mais lenta pois o novo revestimento protege-os da rápida acção digestiva característica do estômago. Segundo N. Peppas, este revestimento também pode ser utilizado com outros medicamentos que actualmente têm administração exclusivamente injectável, como acontece no tratamento da osteoporose e de alguns tipos de cancro.
 

 

A descoberta já se encontra patenteada e N. Peppas já está em fase de negociações com companhias farmacêuticas no sentido realizar mais testes em outros animais e em humanos. O mesmo investigador afirma que o novo produto de administração oral poderá chegar ao mercado nos próximos 10 anos.
 

 

Transformações na qualidade de vida dos diabéticos:
 

 

Relativamente à expectativa gerada pelo trabalho de N. Peppas e A. Foss, o director científico do Instituto de Pesquisa da Diabetes da Universidade de Miami (EUA), Camillo Ricordi, defende que “... será uma melhoria muito importante e muito significativa na qualidade de vida dos doentes afectados pela diabetes, quando eles tiverem a insulina disponível para ser administrada por via oral, em comprimidos.”
 

 

Por outro lado, a administração externa de insulina (como acontece com as injecções mas também com as bombas de inalação já existentes) não é suficientemente eficaz no controlo das flutuações dos níveis de açúcar no sangue. Disto resulta a predisposição destes doentes crónicos a complicações sérias ao nível da visão, a lesões renais e perturbações nervosas.
 

 

Relativamente às formas de administração de insulina actualmente disponíveis, a presidente da Associação Americana de Diabetes, Francine Kaufman, endocrinologista pediatra, afirma: “O que fazemos actualmente é imperfeito porque ainda não é possível acertar com mestria a quantidade de insulina necessária para manter o nível de glicose adequado a um indivíduo em particular.” Ela conclui dizendo que um comprimido poderá ser “uma solução mas não é a solução.”
 

 

C. Ricordi aponta esperanças para os transplantes das estruturas pancreáticas (ilhotas de Langerhans) onde esta hormona é produzida. Esta prática ainda está em fase de estudo experimental em várias instituições de investigação mas, de acordo com C. Ricordi, já mostrou ser promissora no tratamento da diabetes.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: CNN

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.