Comprimento do dedo é indicador de risco de cancro da próstata

Estudo publicado no “British Journal of Cancer”

06 dezembro 2010
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Os homens cujo dedo indicador é maior do que o anelar têm uma probabilidade um terço inferior de desenvolver cancro da próstata, sugere um novo estudo publicado no “British Journal of Cancer”.

 

Para o estudo, os investigadores da The University of Warwick e do The Institute of Cancer Research (ICR), no Reino Unido, acompanharam ao longo de 15 anos mais de 1.500 homens que sofriam de cancro da próstata, juntamente com mais de três mil homens saudáveis. Foi-lhes apresentado uma série de fotografias com padrões de comprimentos de dedos diferentes e pedido para identificar qual o que se assemelhava mais ao comprimento dos dedos da sua mão direita.

 

O estudo revelou que o padrão de comprimento do dedo mais comum, observado em mais de metade dos homens do estudo, foi o comprimento do dedo indicador menor do que o dedo anelar. Os homens cujo comprimento do dedo indicador e anelar era igual tinham o risco de cancro da próstata similar. Contudo, os que tinham o dedo indicador mais longo que o dedo anelar tinham um risco 33% menor de desenvolver este tipo de cancro. A redução do risco foi ainda maior nos homens com menos de 60 anos, estes tinham uma probabilidade 87% menor de ter cancro da próstata.

 

Os investigadores, liderados por Professor Ros Eeles do ICR e do The Royal Marsden NHS Foundation Trust, no Reino Unido explicam que o tamanho dos dedos é estabelecido antes do nascimento e acredita-se que esteja relacionado com os níveis de hormonas sexuais a que o bebé está exposto no útero. Quanto menor a exposição à testosterona, maior é o comprimento do indicador. Os investigadores acreditam assim que, uma menor exposição a esta hormona, antes do nascimento, ajuda na protecção contra o cancro da próstata. Na opinião dos investigadores este fenómeno ocorre pois os genes HOXA e HOXD controlam tanto o comprimento dos dedos como o desenvolvimento dos órgãos sexuais.

 

Estudos anteriores já tinham encontrado uma associação entre a exposição a hormonas no útero e o desenvolvimento de outras doenças como cancro da mama (associado à maior exposição ao estrogénio pré-natal) e osteoartrite.

 

Em comunicado de imprensa, os autores do estudo revelam que estes resultados indicam que os níveis hormonais a que o bebé está exposto no útero pode ter efeito décadas mais tarde. “Com a continuação dos nossos estudos vamos ser capazes de identificar mais factores que poderão estar envolvidos no desenvolvimento da doença”, revelou a equipa no mesmo comunicado. Mas para já os investigadores mostram-se muito entusiasmados com esta nova descoberta pois significa que o comprimento do dedo pode ser utilizado para identificar os homens com maior risco de desenvolver cancro, juntamente com outros factores, como a história familiar ou testes genéticos. 

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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Alertsaúde

Gosto de tudo o que me possa informar sobre saúde e não só de um artigo. Excelente o trabalho efectuado pelo alertsaude e sua equipa.

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