Compostos da fruta podem ajudar a tratar obesidade, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular

Estudo publicado na revista “Diabetes”

17 maio 2016
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O consumo diário de um suplemento de compostos derivados das uvas vermelhas e laranjas pode funcionar como um novo tratamento para a obesidade, diabetes tipo 2 e doença cardiovascular, dá conta um estudo publicado na revista “Diabetes”.
 

Os investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, constataram que os compostos atuam em conjunto para reduzir os níveis de glucose no sangue, melhorar a atividade da insulina e aumentar a saúde das artérias.
 

No estudo, os investigadores analisaram os efeitos de um composto, denominado trans-resveratrol, encontrado nas uvas vermelhas, e um outro encontrado nas laranjas, a hesperetina. Após terem testado os dois compostos em cultura de células, os investigadores verificaram que estes conduziam a um aumento da expressão da glioxalase (Glo1), uma enzima que neutraliza um composto conhecido por metilglioxal (MG).
 

De acordo com os autores do estudo, o MG é um motor importante dos efeitos nocivos do açúcar no organismo. A combinação de níveis elevados de MG e de uma dieta de elevado teor calórico é a causa da resistência à insulina, o que pode conduzir à diabetes tipo 2. Este composto também danifica os vasos sanguíneos e pode estar envolvido no aumento dos níveis de colesterol, um fator de risco para a doença cardiovascular.
 

Desta forma, os investigadores colocaram a hipótese de que o bloqueio da MG através do aumento da expressão da Glo1 poderia reverter estes efeitos. A combinação de trans-resveratrol e hesperetina foi testada em 32 adultos com idades compreendidas entre os 18 e os 80 anos. Os indivíduos apresentavam um índice de massa corporal entre os 25 e os 40, ou seja, tinham excesso de peso ou eram obesos.
 

Os participantes foram convidados a ingerir diariamente e ao longo de oito semanas a combinação dos compostos das frutas sob a forma de um suplemento. Ao longo do estudo, os indivíduos foram aconselhados a adotar as dietas habituais e a não aumentar a prática de atividade física. Foram retiradas amostras de sangue regularmente e analisados os níveis de glucose e de outros marcadores sanguíneos. A saúde das artérias foi avaliada através da medição da flexibilidade destas.
 

O estudo apurou que os participantes que ingeriram os suplementos diários e que tinham um IMC acima dos 27,5 apresentavam uma atividade da Glo1 aumentada, assim como níveis reduzidos de insulina, melhor atividade da mesma, melhor função arterial e inflamação reduzida dos vasos sanguíneos. Estes efeitos não foram observados nos participantes que ingeriram um placebo.
 

Os investigadores referem que as doses de trans-resveratrol e hesperetina utilizadas são demasiado elevadas para serem obtidas a partir do consumo de fruta. Contudo, esperam que estes achados encorajem as companhias farmacêuticas a desenvolver fármacos utilizando estes compostos, abrindo caminho para um novo tratamento contra a obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.
 

"Este é um grande achado que pode ter um enorme impacto na nossa capacidade de tratar estas doenças. Além de ajudar no tratamento da diabetes e de doenças cardíacas, pode desarmar a bomba-relógio da obesidade”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Paul Thornalley.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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