Composto natural mostra-se promissor no tratamento da osteoartrose

Estudo da Universidade de Coimbra

11 abril 2012
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Um composto natural, extraído do zimbro, com elevado potencial para o tratamento da osteoartrose, a principal causa de incapacidades motora e laboral a partir dos 50 anos foi identificado pelos investigadores da Universidade de Coimbra (UC).

 

O composto identificado é o afla-pineno, também presente no eucalipto e pinheiro, que foi extraído do Juniperus oxycedrus, vulgarmente conhecido por zimbro, cedro-de-espanha, oxicedro ou cade.

 

A osteoartrose, conhecida também por reumatismo ou artrose, é uma doença que atinge fundamentalmente a cartilagem das articulações - que funciona como amortecedor e lubrificante para garantir os movimentos - e provoca dor, rigidez, limitação de movimentos e, em fases mais avançadas, deformações.

 

“Não existe um medicamento eficaz para o tratamento da artrose, que afeta milhões de pessoas e cada vez mais, porque a população está a envelhecer”, revelou à agência Lusa Alexandrina Mendes, coordenadora da avaliação farmacológica do estudo, que visa desenvolver um medicamento “capaz de travar a doença e promover a regeneração do tecido da cartilagem”.

 

A investigadora afirmou que o composto identificado demonstrou uma “forte seletividade para a cartilagem, não atuou num leque de outras células do organismo”, o que é “um bom indicador de que não provoca efeitos colaterais”.

 

“São resultados bastante promissores, mas são ainda necessários muitos passos até podermos chegar a um medicamento”, disse, sublinhando a “importância da realização de ensaios com animais, para comprovação da eficácia e de que não há efeitos tóxicos”.

 

Além do alfa-pineno, a investigação permitiu ainda a identificação de um “conjunto de óleos essenciais de plantas da flora ibérica”, mais concretamente de plantas endémicas de algumas regiões de Portugal (como Quiaios, na Figueira da Foz, e Serra da Estrela), “com moléculas bastante ativas sobre a doença articular crónica mais comum”.

 

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a osteoartrose é “uma das 17 doenças prioritárias na área da prevenção e tratamento”, refere a nota hoje divulgada pela UC.

 

“A evolução da doença é um processo longo com custos diretos (consultas, medicamentos, cirurgia) e indiretos (produtividade reduzida e absentismo laboral) muito elevados, tanto para o doente como para o Serviço Nacional de Saúde”, conclui Alexandrina Mendes.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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