Composto do vinho tinto poderá ajudar a tratar doenças cardíacas

Estudo publicado na revista “Cell”

22 dezembro 2015
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Título: Composto do vinho tinto poderá ajudar a tratar doenças cardíacas 
Subtítulo: Estudo publicado na revista “Cell”
 
Um fármaco que interfere com a atividade metabólica dos microrganismos intestinais pode um dia tratar doenças cardíacas. O estudo publicado na revista “Cell” dá conta que a ingestão de um composto naturalmente presente no vinho tinto e no azeite impediu que os microrganismos intestinais convertessem alimentos poucos saudáveis em subprodutos metabólicos que obstruem as artérias.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores da Clínica de Cleveland, nos EUA, sugere que os benefícios da dieta mediterrânica envolvem a alteração da atividade dos microrganismos intestinais. Caso estes resultados sejam replicados nos humanos, podem conduzir a uma nova estratégia de tratamento e prevenção para a doença cardíaca e acidente vascular cerebral, as duas causas principais de morte em todo o mundo.
 
A aterosclerose, caracterizada pelo endurecimento das artérias, tem sido associada ao consumo de elevadas quantidades de nutrientes como a colina e a carnitina, que são abundantes em alimentos como carne, gemas de ovos e lacticínios com elevado teor de gordura. Os microrganismos do intestino convertem estes nutrientes num composto conhecido por trimetilamina (TMA, sigla em inglês). Este composto é convertido pelas enzimas do hospedeiro num metabolito, o N-óxido de trimetilamina (TMAO, sigla em inglês), que acelera a aterosclerose em modelos animais e está associado a um aumento do risco de doença cardíaca nos humanos.
 
Até à data, a comunidade científica tem-se esforçado em atingir esta via através da inibição de enzimas do hospedeiro que convertem a TMA em TMAO. Contudo, esta abordagem causa danos hepáticos, assim como a acumulação pouco saudável da TMAO. 
 
Neste estudo os investigadores decidiram adotar uma outra abordagem que tinha por alvo microrganismos intestinais de forma a impedir a formação da TMA. Foi neste contexto que os investigadores, liderados por Stanley Hazen, analisaram inibidores da produção da TMA provenientes da colina. Os investigadores identificaram um composto denominado por 3,3-dimethil1-butanol (DMB, sigla em inglês) que se encontra naturalmente presente no azeite, no vinagre balsâmico e em óleos de semente de uva.
 
O estudo apurou que nos ratinhos alimentados com uma dieta rica em colina e geneticamente predispostos para desenvolver aterosclerose, o tratamento com DMB diminui substancialmente os níveis de TMAO e inibiu a formação de placas arteriais sem produzir efeitos tóxicos.
 
Experiências adicionais sugeriram que o DMB exerce os seus efeitos benéficos através da inibição da formação da TMA. Adicionalmente, verificou-se que a DMB não matou os microrganismos intestinais, mas reduziu a proporção de bactérias associadas aos níveis elevados de TMA, TMAO e aterosclerose.
 
“Se formos capazes de replicar estes resultados em humanos, esta pode ser uma abordagem completamente nova para o tratamento de doenças cardiovasculares e metabólicas. Entretanto, os resultados sugerem que não é má ideia adotar a dieta mediterrânica para ajudar a evitar doenças cardíacas e outros problemas de saúde”, conclui, Stanley Hazen.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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