Composto de chá verde pode ajudar a tratar síndrome de Down?

Estudo publicado na revista “The Lancet Neurology”

23 junho 2016
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Um composto presente no chá verde, a epigalocatequina galato, conjuntamente com um protocolo de estimulação cognitiva pode melhorar algumas capacidades intelectuais dos indivíduos com síndrome de Down e modificar a excitabilidade e conetividade funcional dos seus cérebros, dá conta um estudo publicado na revista “The Lancet Neurology”.
 
A síndrome de Down afeta aproximadamente uma em cada mil pessoas no mundo inteiro e é a causa genética mais comum da deficiência intelectual. Os pacientes afetados por esta doença têm três, em vez de duas cópias do cromossoma 21, o que faz com que os genes presentes neste cromossoma estejam expressos em excesso. 
 
Esta expressão aumentada dos genes causa vários sintomas físicos, incluindo tónus muscular reduzido, cabeça, orelhas e boca mais pequenas, um perfil facial achatado e olhos oblíquos. Estes pacientes apresentam também problemas na função cognitiva, como atrasos na linguagem e desenvolvimento da fala, dificuldades na aprendizagem e memória, bem como baixa concentração.
 
Estudos anteriores demonstraram que estes problemas cognitivos estão associados à expressão aumentada de um gene conhecido por DYRK1A. Estudos realizados em ratinhos sugeriram que a epigalocatequina galato poderia reduzir a expressão aumentada do DYRK1A.
 
O estudo conduzido pelos investigadores do Centro de Regulação Genómica e do Instituto do Hospital do Mar de Investigações Médicas, em Espanha, sugere que o composto pode ter o mesmo efeito nos indivíduos com síndrome de Down, tendo sido observada uma melhoria na função cognitiva.
 
Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 84 indivíduos com síndrome de Down que tinham entre 16 e 34 anos. Ao longo de 12 meses, os participantes receberam uma dose diária de nove mg/Kg de epigalocatequina galato ou um placebo. Os dois grupos também foram submetidos semanalmente a um treino cognitivo.
 
Todos os participantes foram submetidos a testes cognitivos e procedimentos imagiológicos cerebrais aos três, seis e 12 meses, assim como seis meses após o tratamento ter terminado.
 
O estudo apurou que, comparativamente com os participantes que receberam o placebo, os que foram tratados com epigalocatequina galato apresentavam um melhor desempenho em determinadas áreas da função cognitiva.
 
Os investigadores verificaram que ocorreram melhorias em três áreas específicas: memória de reconhecimento visual (que envolve a capacidade de recordar e distinguir objetos), controlo inibitório (a capacidade de resistir a distrações e evitar impulsos) e comportamento adaptativo (a capacidade de usar capacidades concetuais, sociais e práticas para as funções diárias).
 
Adicionalmente, verificou-se que os indivíduos tratados com epigalocatequina galato apresentavam uma maior ligação funcional entre as células nervosas, comparativamente com aqueles que tomaram o placebo.
 
"Foi surpreendente verificar que as alterações não foram apenas cognitivas – na capacidade de raciocínio, aprendizagem, memória e atenção – mas sugerem que a conectividade funcional dos neurónios no cérebro também foi modificada," concluiu um dos líderes do estudo, Rafael de la Torre, em comunicado.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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