Comportamentos autolesivos afetam 7% dos adolescentes

Estudo orientado pelo psiquiatra Daniel Sampaio

01 outubro 2014
  |  Partilhar:

Em Portugal, cerca de sete por cento dos adolescentes já teve comportamentos autolesivos, os quais não são habitualmente detetados pelos serviços de saúde ou escolares, dá conta um estudo realizado em 14 escolas públicas da área da Grande Lisboa.
 

O estudo, intitulado "Comportamentos autolesivos em adolescentes: Características epidemiológicas e análise de fatores psicopatológicos, temperamento afetivo e estratégias de coping", contou com a participação de 1.713 adolescentes, com idades entre os 12 e os 20 anos, a maioria (56%) do sexo feminino, que decorreu entre 2010 e 2013.
 

A investigação, à qual a agência Lusa teve acesso, teve como objetivo identificar a prevalência deste problema e caracterizar de “forma pormenorizada” estes comportamentos e os jovens que os realizam. Verificou-se que 13,5% dos adolescentes tinha comportamentos autolesivos e pensamentos de autolesão.
 

O estudo revelou que 7,3% dos adolescentes já tinham apresentado, pelo menos, um episódio de autolesão, sendo que destes, 46% já tinham realizado este comportamento mais do que uma vez. Cerca de 6% da amostra relatou pensamentos de autolesão (sem o comportamento associado), sendo estes também mais frequentes nas raparigas. A probabilidade de comportamentos autolesivos é “significativamente maior nas raparigas, naqueles que vivem noutro sistema familiar que não o nuclear e naqueles com maior insucesso escolar”.
O orientador do estudo, o psiquiatra Daniel Sampaio, revelou à agência Lusa que estes números são preocupantes, referindo que “é preciso estar atento” a esta situação.
 

Estes comportamentos dos jovens se cortarem, queimarem, ingerirem uma substância numa dose excessiva “significam sofrimento na adolescência. São um sinal de alarme para uma adolescência que não está a correr bem”, adiantou Daniel Sampaio.
 

A grande maioria dos jovens negou ter falado com alguém ou ter pedido ajuda, permanecendo estes comportamentos "secretos" e não detetados pelos serviços de saúde ou escolares. Apenas 19% dos jovens admitiu ter feito algum pedido de ajuda e apenas 13% recorreu ao hospital após a autolesão, tal acontecendo sobretudo em casos de sobredosagens.
 

Questionados sobre se durante qualquer episódio de autolesão pensaram “decididamente em morrer”, 42% afirmaram que sim.
 

Os jovens que relatavam autolesão apresentavam maior sintomatologia depressiva e ansiosa, assim como maiores taxas de consumo de álcool, de embriaguez, de consumo de tabaco e de utilização de drogas ilegais, assim como maior número de acontecimentos de vida negativos.
 

Daniel Sampaio sublinhou que os pais, a escola e a sociedade devem estar atentos a este problema, mas realçou também o papel importante dos colegas na deteção destes casos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.