Comportamento suicida: glutamato pode ser a chave

Estudo publicado na revista “Neuropsychopharmacology”

21 dezembro 2012
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Um dos aminoácidos presentes no cérebro, o glutamato, está associado ao comportamento suicida. Esta descoberta publicada na revista “Neuropsychopharmacology” poderá ajudar a impedir que as pessoas atentem contra a sua própria vida.
 

Já há algum tempo que se suspeitava que o glutamato, responsável por enviar sinais entre as células, estava envolvido nas causas químicas da depressão. Neste estudo os investigadores da Michigan State University's, nos EUA, decidiram analisar, no líquido cefalorraquidiano de 100 indivíduos na suécia, a atividade do glutamato através da medição do ácido quinolínico (que faz com que o glutamato envie mais sinais). Cerca de dois terços dos participantes tinha sido admitido no hospital após ter tentado o suicídio. Os restantes indivíduos eram saudáveis.
 

Os investigadores constataram que em comparação com os indivíduos saudáveis, os que tinham tentado o suicido apesentavam uma quantidade duas vezes maior de ácido quinolínico no líquido cefalorraquidiano. Estes resultados indicam que houve um aumento da sinalização via glutamato entre as células nervosas. Os participantes que tinham admitido o maior de desejo em suicidar-se eram os que apresentavam níveis mais elevados deste ácido.
 

O estudo também apurou que houve uma diminuição dos níveis de ácido quinolínico num grupo de pacientes que voltou a ser examinado seis meses mais tarde, alturaem que já não apresentavam comportamentos suicidas.
 

Estes resultados explicam por que motivo as investigações têm apontado a inflamação no cérebro como um fator de risco para o suicido. Na verdade, o ácido quinolínico é produzido como resultado da resposta imune, o que por sua vez conduz ao aparecimento da inflamação.
 

Uma das autoras do estudo, Lena Brundin, explica que os fármacos anti-glutamato ainda se encontram em desenvolvimento, estes podem ser em breve uma ferramenta para a prevenção do suicido. Na verdade, estudos clínicos recentes demonstraram que o anestésico cetamina, que inibe a sinalização via glutamato, é extremamente eficaz a combater a depressão, apesar dos seus efeitos secundários impedirem a sua toma diária.
 

A investigadora acrescenta que os médicos deveriam estar cientes que a inflamação pode despoletar o comportamento suicida. “No futuro, os pacientes com depressão e comportamentos suicidas poderão ser rastreados para a inflamação. É importante que os médicos de cuidados de saúde primária e os psiquiatras trabalhem conjuntamente nesta condição”, conclui Lena Brundin.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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