Comportamento social na infância pode indicar futuro de uma criança

Estudo divulgado no “American Journal of Public Health”

12 agosto 2015
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As competências sociais e emocionais de crianças em idade pré-escolar podem indicar o futuro das mesmas em termos de habilitações, emprego e atividade criminal, revelam cientistas norte-americanos.
 
O estudo levado a cabo pela Universidade Penn State, nos EUA, ao longo de 20 anos, contou com a participação de educadores, que avaliaram as competências sociais das crianças participantes. Quando estas atingiram os 20 anos de idade, os investigadores avaliaram a vida desses indivíduos em termos sociais e profissionais. No geral, as crianças que revelaram possuir melhores competências pró-sociais apresentavam maior probabilidade de concluir estudos superiores, obter um emprego e não ser presos, em comparação com aquelas que apresentavam menos competências sociais.
 
Damon Jones e a sua equipa analisaram dados de mais de 700 alunos que participaram no estudo e programa de prevenção “Fast Track Project”, desenvolvido por quatro universidades norte-americanas – Penn State, Duke, Vanderbilt e Universidade de Washington – para crianças em elevado risco de problemas comportamentais de longo prazo. Os indivíduos estudados nesta investigação faziam parte do grupo de controlo e não receberam qualquer tipo de ação de prevenção. No geral, a amostra era representativa de crianças que viviam em bairros de estrato socioeconómico inferior.
 
Os educadores pré-escolares avaliaram a interação social de cada uma das crianças em oito categorias numa escala de um a cinco pontos. A avaliação incluía itens do género “ajuda os outros”, “partilha objetos” e “resolve problemas com pares por si próprio(a)”.
 
Os investigadores compararam as avaliações dos educadores com os resultados dos estudantes desde o final da adolescência até aos 25 anos de idade em cinco áreas: educação e emprego, assistência do Estado, atividade criminal, abuso de substâncias e saúde mental.
 
Os dados do estudo revelaram que, por cada aumento de um ponto na avaliação das competências sociais da criança em idade pré-escolar, esta apresentava uma probabilidade duas vezes superior de concluir estudos universitários e tinha uma probabilidade 46% maior de ter um emprego a tempo inteiro aos 25. Por outro lado, por cada diminuição de um ponto, a criança apresentava 67% mais probabilidades de vir a ser presa um dia e 82% de estar ou vir a estar em lista de espera para habitação social aos 25 anos de idade. Este estudo teve em consideração fatores, como efeitos de pobreza, raça, ter pais adolescentes, tensões familiares e crime na zona de habitação, assim como níveis de agressividade e de leitura durante o infantário.
 
Apesar de Jones advertir que “esta investigação por si não prova que maior competência social pode conduzir a melhores resultados na vida”, este autor considera que “quando combinada com outras investigações, torna-se evidente de que ajudar as crianças a desenvolver estas competências aumenta as suas possibilidades de sucesso na escola, no trabalho e na vida.”
 
Vários estudos anteriores apontam para a possibilidade de melhorar as capacidades de aprendizagem social e emocional ao longo da infância e adolescência. Dessa forma, o investigador acrescenta: “As boas notícias é que as competências sociais e emocionais podem ser melhoradas, e isto demonstra que podemos avaliar de forma barata e eficiente estas competências numa idade precoce”. 
 
No futuro os cientistas pretendem compreender de que forma as competências sociais podem ajudar a prever a vida futura das crianças e a entender melhor os processos de desenvolvimento intermédios em que as competências sociais e emocionais influenciam os resultados de longo prazo na vida adulta.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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