Comportamento emocional e a ativação no útero

Estudo publicado na “Nature Communications”

08 agosto 2013
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A placenta desempenha um papel fulcral na programação, a longo prazo, do comportamento emocional, tendo um estudo publicado na revista “Nature Communications” pela primeira vez associado modificações comportamentais na idade adulta à privação de determinadas hormonas durante o desenvolvimento uterino.
 

Estudos anteriores demostraram que o fator de crescimento 2 semelhante à insulina (IGF2, sigla em inglês) desempenha um papel importante no desenvolvimento do feto e da placenta nos mamíferos. Adicionalmente, também tem sido sugerido que as alterações na expressão desta hormona na placenta e no feto estão associadas à restrição do crescimento no útero.  
 

“O crescimento do bebé é um processo muito complexo, havendo vários mecanismos de controlo que se certificam que os nutrientes necessários para o seu crescimento estão a ser fornecidos pela mãe”, explicou, o líder do estudo, Lawrence Willkinson.
 

Neste estudo os investigadores da Cardiff University e da Cambridge University, no Reino Unido, decidiram investigador se a rutura deste equilíbrio teria efeito nos comportamentos emocionais mais tarde na vida.
 

De forma a explorar se a privação de determinados nutrientes afetava os humanos, os investigadores analisaram o comportamento de ratinhos adultos que tinham o IGF2 danificado. Foi verificado que este dano conduziu a um desequilíbrio no fornecimento de nutrientes através da placenta e que este teve efeitos importantes no comportamento dos ratinhos na idade adulta, nomeadamente no que diz respeito ao aumento do nível de ansiedade.
 

O estudo apurou que estes sintomas foram acompanhados por alterações específicas na expressão de genes associados ao comportamento. “Este é o primeiro exemplo daquilo que denominados por programação da placenta no comportamento na idade adulta. Não sabemos exatamente como estes eventos, tão precoces, podem causar efeitos a longo prazo na predisposição emocional, mas estes resultados sugerem que os alicerces do comportamento, e a vulnerabilidade a doenças cerebrais e mentais são estabelecidos mais cedo do que anteriormente era pensado”, referiu o investigador.
 

Os investigadores referem ainda que apesar de este estudo ter sido conduzidos em animais, estes resultados poderão ter um grande impacto no desenvolvimento humano.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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