Comportamento da criança associado ao relacionamento com o pai

Estudo publicado no “Journal of Child Psychology and Psychiatry”

24 julho 2012
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A relação do pai com o filho nos primeiros meses de vida pode reduzir o risco de problemas comportamentais futuros, sugere um estudo publicado no “Journal of Child Psychology and Psychiatry”.
 

Os distúrbios comportamentais são os problemas psicológicos mais comuns que afetam as crianças. Estes estão associados a vários problemas na adolescência e idade adulta, nomeadamente fraco aproveitamento escolar, delinquência, rejeição dos companheiros e pobre saúde física e psicológica.
 

Estudos epidemiológicos anteriores já tinham identificado vários fatores de risco para o início e continuidade dos problemas comportamentais, nomeadamente características parentais e interação pai-filho. Contudo, a maioria dos estudos focou-se no papel da mãe.
 

Neste estudo, os investigadores da University of Oxford, no Reino Unido, acompanharam 192 famílias tendo avaliado a interação pai-filho aos três meses de idade e o seu comportamento aos 12 meses de idade.
 

O estudo apurou que havia aspetos importantes na interação pai-filho, medidos no início da vida da criança, que estavam associados com um aumento do risco de aparecimento de problemas comportamentais aos 12 meses de idade.
 

“Verificamos que as crianças cujos pais tinham uma interação mais próxima apresentavam melhores resultados e menores problemas comportamentais subsequentes”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Paul Ramchandani. No outro extremo da escala, estão as crianças que tendem a ter maiores problemas comportamentais, quando os pais estão mais perdidos nos seus pensamentos e interagem menos. Esta associação é mais forte com os rapazes do que com as raparigas, o que sugere que os rapazes são mais suscetíveis à influência do pai desde uma idade muito precoce”, acrescenta o investigador.
 

O investigador refere que ainda não se sabe ao certo se o facto de o pai ter um relacionamento mais distante pode causar problemas comportamentais nas crianças, mas levanta a possibilidade destas interações serem importantes.
 

Os autores do estudo acreditam que existem várias explicações para esta associação. A falta de envolvimento paternal pode refletir vários problemas de relacionamento familiar, nomeadamente pais que estão a ter uma relação mais atribulada podem ter uma maior dificuldade em se envolver com os seus filhos. Por outro lado, pode também refletir uma falta de supervisão e carinho para com o filho, o que resulta no aumento dos distúrbios de comportamentais. Foi também sugerido que esta associação pode ser explicada através de uma tentativa para despoletar uma reação paternal em resposta a uma falha prévia do envolvimento do pai.
O investigador conclui que “tal como todos os pais sabem, educar uma criança não é uma tarefa fácil. Os resultados do nosso estudo sugerem que uma intervenção precoce poderá ajudar os pais a conseguirem ter um impacto positivo no modo como os filhos se desenvolvem”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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