Componente do vinho tinto ajuda a reduzir a inflamação

Estudo publicado na revista “Scientific Reports”

04 outubro 2016
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Uma componente do vinho tinto pode ajudar a controlar a inflamação induzida por uma bactéria patogénica que está associada a doenças inflamatórias do trato respiratório superior, como a asma, doença pulmonar obstrutiva crónica e otite média, dá conta um estudo publicado na revista “Scientific Reports”.
 
No estudo, os investigadores da Universidade do Estado de Geórgia, nos EUA, identificaram um novo mecanismo que o resveratrol, um composto encontrado naturalmente em alguns alimentos, como as uvas, utiliza para aliviar a inflamação nas vias aéreas. Os resultados sugerem que o composto pode fornecer benefícios para a saúde e ser utilizado para desenvolver agentes anti-inflamatórios novos e eficazes.
 
O resveratrol pertence a um grupo de compostos chamados polifenóis, que se acredita que atuem como antioxidantes e protejam o organismo de danos. Há muito que este composto é considerado como um agente terapêutico de várias doenças, incluindo as doenças inflamatórias. 
 
Os investigadores liderados por, Jian-Dong Li, verificaram que o resveratrol era eficaz contra a inflamação causada por um importante agente patogénico respiratório, o Haemophilus influenzae.
 
A presença de uma determinada quantidade de inflamação é necessária e benéfica para a defesa do organismo contra a infeção bacteriana. Contudo, a inflamação descontrolada conduz ao desenvolvimento de doenças inflamatórias. 
 
As doenças inflamatórias do trato respiratório superior, como asma e a doença pulmonar obstrutiva crónica, afetam mais de 500 milhões de pessoas em todo o mundo e são caracterizadas por inflamação crónica que é agravada por agentes patogénicos respiratórios, como é o caso do Haemophilus influenzae.
 
Os antibióticos são utilizados rotineiramente no tratamento de infeções por este agente patogénico, mas devido ao número crescente de estirpes de bactérias resistentes a estes fármacos e ao sucesso limitado dos tratamentos disponíveis há necessidade de desenvolver terapias alternativas.
 
Neste estudo, os investigadores constataram, pela primeira vez, que o resveratrol diminuía a expressão de mediadores pró-inflamatórios nas células epiteliais das vias aéreas e nos pulmões dos ratinhos através do aumento de uma molécula (MyD88) que funciona como regulador negativo das vias de sinalização inflamatória.
 
Os investigadores também verificaram que o resveratrol tinha efeitos anti-inflamatórios após a infeção pelo Haemophilus influenzae, o que sugere o seu potencial terapêutico. 
 
Jian-Dong Li conclui que estes achados podem ajudar no desenvolvimento de estratégias que tenham por alvo ou que aumentem a produção do MyD88. “Podemos utilizar o resveratrol para suprimir a inflamação ou desenvolver derivados do resveratrol que podem funcionar como agentes farmacológicos para suprimir a inflamação, utilizando a mesma estratégia”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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