Complicações antes ou durante o parto aumentam risco de autismo

Estudo publicado no “American Journal of Perinatology”

06 fevereiro 2017
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As crianças expostas a complicações pouco tempo antes ou durante o nascimento, incluindo asfixia e pré-eclampsia, são mais propensas a desenvolver transtorno do espetro autista, defende um estudo publicado no “American Journal of Perinatology”.
 

Para o estudo os investigadores do Kaiser Permanente, nos EUA, analisaram os registos médicos de 594.638 crianças nascidas entre 1991 e 2009. Ao longo deste período, 6.255 destas crianças foram diagnosticadas com transtorno do espetro autista, 37% das quais foram alvo de complicações perinatais.
 

Os investigadores constataram que as crianças expostas a complicações durante o parto apresentavam um risco 10% mais elevado de desenvolver transtorno do espetro autista, comparativamente com aquelas que não sofreram este tipo de complicações.
 

O estudo apurou que nas crianças expostas a complicações antes do início do parto o risco de desenvolver transtorno do espetro autista aumentou 22%. Os investigadores constataram ainda que, as crianças expostas a complicações antes e durante o nascimento apresentavam um risco 44% maior de desenvolver transtorno do espetro autista, comparativamente com aquelas que não foram alvo de complicações perinatais.
 

“Apesar de não existir atualmente uma cura para o transtorno do espetro autista, a identificação precoce das crianças que se encontram em risco de desenvolver a doença é extremamente importante, uma vez que a investigação demonstra que as intervenções de tratamento precoces para as crianças com transtorno do espetro autista podem melhorar bastante o seu desenvolvimento”, afirma, Darios Getahun, o líder do estudo, em comunicado divulgado pelo Kaiser Permanente.
 

De acordo com os investigadores, as complicações perinatais que tiveram a associação mais elevada com o transtorno do espetro autista foram a asfixia, privação de oxigénio durante o nascimento, e pré-eclampsia, uma complicação da gravidez caracterizada por pressão arterial elevada e sinais de danos nos órgãos.
 

Outras complicações perinatais associadas ao transtorno do espetro autista incluíram separação prematura da placenta do útero, apresentação fetal transversal, distocia fetal / tamanho ou posição anormal e um cordão umbilical exposto.
 

Segundo a Associação Americana Psiquiátrica, os transtornos do espetro autista são um grupo de distúrbios do neurodesenvolvimento que são caracterizados por problemas na interação social, défice de comunicação e uma vasta gama de padrões de comportamento restrito e repetitivo.


De acordo com as últimas estimativas do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, nos EUA, cerca de 1 em 68 crianças têm sido diagnosticadas com este tipo de distúrbio o qual é cerca de 4,5 vezes mais comum nos meninos do que nas meninas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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