Como são formadas as novas memórias?

Estudo publicado na revista “Neuron”

06 julho 2015
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Uma equipa internacional de investigadores descobriu que os neurónios de uma região específica do cérebro desempenham um papel importante na rápida formação de memória dos eventos diários. Estes achados publicados na revista “Neuron” podem resultar num melhor conhecimento sobre a perda de memória e novos métodos para combater a doença de Alzheimer e outras doenças neurológicas.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade da Califórnia, nos EUA, e do Reino Unido analisaram os neurónios do lóbulo temporal medial que estão associados à memória episódica, ou seja, a capacidade do cérebro recordar conscientemente eventos e determinadas situações, como encontrar-se com um amigo da escola numa ópera. Após esta análise, os investigadores constataram que as células alteravam a sua capacidade para estabelecerem novas ligações, como encontrar-se com um velho amigo na ópera, no momento exato da experiência.
 

O estudo envolveu 14 pacientes com epilepsia severa que foram hospitalizados e aos quais foram implantados elétrodos no cérebro para identificar o foco epilético para uma possível intervenção cirúrgica.
 

Os pacientes visualizaram 100 imagens de celebridades, animais e locais, tendo sido analisada a atividade de 600 neurónios individuais no cérebro, à medida que as imagens eram registadas. Numa primeira análise, os investigadores foram capazes de identificar os neurónios que respondiam a uma ou mais imagens. Ao longo da segunda análise, foram criadas imagens contextuais que colocavam uma pessoa numa imagem, como o Clint Eastwood aparecer à frente da Torre de Pisa. Foi estudada a atividade de neurónios individuais enquanto os pacientes aprendiam estas associações.
 

Após terem analisado a atividade neuronal dos participantes, os investigadores verificaram que após os voluntários terem visualizado as imagens contextuais, os mesmos neurónios do lobo temporal medial que tinham sido ativados quando os participantes viram, por exemplo, o Clint Eastwood também eram ativados quando viam a Torre de Pisa. Verificou-se também que os mesmos neurónios que foram ativados quando os pacientes viram a Torre de Pisa também ficaram ativados quando viram o Clint Eastwood.
 

“Foi impressionante ver como os neurónios individuais sinalizaram a aprendizagem de novas associações contextuais entre pessoas e locais e que as mudanças na ativação poderiam ocorrer a qualquer instante. Estes achados foram compatíveis com mecanismos básicos subjacentes à formação de memória episódica" revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Matías J. Ison.
 

Na opinião do líder do estudo, Itzhak Fried, um conhecimento mais profundo da formação da memória episódica é um problema central da neurociência e pode ter um significado clínico importante uma vez que este tipo de memória é afetado nos pacientes que sofrem de doença de Alzheimer e outras doenças neurológicas.
 

“A perda de função de memória é dos problemas mais devastadores da condição humana. Este estudo analisou os fundamentos básicos da criação de associações e é, por isso, um passo importante na compreensão da base fisiológica necessária para o desenvolvimento de novas interfaces com o cérebro humano que um dia podem melhorar a vida de pacientes neurológicos com problemas de memória”, conclui Itzhak Fried.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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