Como responde o cérebro feminino ao estrogénio?

Estudo publicado no “Cell Metabolism”

11 outubro 2011
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Não é nenhum segredo que as mulheres tendem a ganhar peso à medida que envelhecem. Uma das hormonas sexuais que tem um papel muito importante no aumento de peso das mulheres é o estrogénio. Num estudo publicado recentemente no "Cell Metabolism, os investigadores traçaram os efeitos hormonais sobre o metabolismo em diferentes partes do cérebro.
 

Quando as mulheres atingem a menopausa, aumentam de peso e o seu gasto de energia diminui, revela a líder do estudo, Deborah Clegg, da University of Texas Southwestern Medical Center, nos EUA. À medida que os níveis de estrogénio diminuem, as mulheres tornam-se cada vez mais susceptíveis à obesidade e à síndrome metabólica.
 

O estrogénio actua nos receptores encontrados em todo o corpo, nomeadamente, nos ovários e no músculo. Contudo, no que respeita à sua influência sobre o metabolismo, Deborah Clegg suspeita dos receptores encontrados no cérebro.
 

Investigações anteriores já haviam traçado o efeito do estrogénio no balanço energético, especificamente no receptor-alfa do estrogénio (ERalfa). Neste estudo, os investigadores verificaram que quando estes receptores não eram expressos em nenhuma das células cerebrais dos ratinhos, estes tornavam-se muito gordos. Os animais consumiam mais e queimavam menos calorias.
 

Os investigadores constataram que os ratinhos fêmea que não expressavam o ERalfa em determinadas células nervosas do cérebro, os neurónios SF1, aumentavam de peso, apesar de não comerem mais. Por outro lado, quando o ERalfa não era expresso noutro tipo de células, os neurónios POMC, os animais comiam mais, mas não aumentavam de peso. A ausência do ERalfa nestes neurónios também conduzia a vários problemas de ovulação e fertilidade.
 

Estas descobertas sugerem que o desenvolvimento de fármacos que tenham como alvo os receptores de estrogénios encontrados nas células nervosas do cérebro poderão ser uma alternativa útil à terapia de substituição hormonal.
 

Os autores do estudo concluem, assim, que estes resultados poderão conduzir ao desenvolvimento de terapias de substituição hormonal altamente selectivas, que poderão ser utilizadas para combater a obesidade ou a infertilidade das mulheres sem risco de desenvolvimento de doenças cardíacas ou cancro da mama.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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