Como prevenir doenças associadas ao envelhecimento?

Estudo publicado na revista “Nature”

28 julho 2014
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Especialistas em envelhecimento defendem que o tratamento das causas metabólicas e moleculares do envelhecimento poderia ajudar as pessoas a permanecerem saudáveis até aos 70 ou 80 anos, sugere um estudo publicado na revista “Nature”.
 

Os investigadores da Universidade de Washington, de Brescia e do Sudoeste da Califórnia, argumentam que está na altura de avançar para estratégias pré-clínicas e clínicas que têm demonstrado atrasar o envelhecimento em estudos realizados em animais.
 

Para além da promoção de uma dieta saudável e da prática de exercício físico, estas estratégias incluem abrandar as causas metabólicas e moleculares do envelhecimento humano, nomeadamente a acumulação de danos celulares que ocorrem ao longo do tempo.
 

“Não temos de ser matemáticos ou economistas para perceber que os atuais cuidados de saúde não são sustentáveis”, revelou, em comunicado de imprensa, o primeiro autor do estudo, Luigi Fontana.
 

As doenças associadas ao envelhecimento, como a insuficiência cardíaca, artrite, cancro, doença de Alzheimer, tendem a aparecer em “pacote”. Mais de 70% das pessoas com mais de 65 anos de idade têm uma ou mais doenças crónicas. “A insuficiência cardíaca não aparece repentinamente. É o acumular de 30 ou 40 anos de vida pouco saudável e da ativação de vias associadas ao envelhecimento de distúrbio metabólicos como hipertensão, colesterol elevado e diabetes tipo 2 que faz com que um indivíduo tenha insuficiência cardíaca aos 60 anos. Assim propomos a adoção de intervenções no estilo de vida para controlar as vias associadas ao envelhecimento”, acrescentou Luigi Fontana.
 

O investigador chama a atenção para os benefícios que a restrição calórica pode ter no aumento da longevidade. Estudos realizados por Luigi Fontana demonstraram que as pessoas que consomem poucas calorias, têm um coração mais “novo” e flexível, pressão arterial mais baixa, menos inflamação e a função muscular é similar à dos indivíduos mais jovens.
 

O estudo refere ainda que há várias vias moleculares associadas ao aumento de longevidade em animais que também são afetadas por fármacos aprovados e experimentais. Assim, reforçam mais uma vez a necessidade de avançar para ensaios clínicos que tenham por base os resultados mais prometedores obtidos em estudos com animais.
 

Os investigadores concluem que o dinheiro público deveria ser investido no aumento da vida saudável através do abrandamento do envelhecimento. “Caso contrário poderemos no futuro ter uma crise demográfica (…). A combinação de uma população envelhecida com um aumento de doenças crónicas e aumento da epidemia da obesidade e de diabetes tipo 2 pode fazer com que, no futuro, os cuidados de saúde sejam apenas acessíveis para as pessoas mais ricas”, conclui Luigi Fontana.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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