Como os genes afetam a resposta imunitária aos agentes patogénicos?

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

07 julho 2016
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Investigadores holandeses constataram que a resposta do sistema imunitário à presença de agentes patogénicos é, em parte, determinada por fatores genéticos, refere um estudo publicado na revista “Nature Medicine”.
 

Diariamente as pessoas são expostas a diferentes agentes patogénicos, mas nem todas respondem de igual forma. Enquanto alguns indivíduos apresentam sintomas moderados, outros podem ficar bastante doentes ou até morrerem.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Groningen, na Holanda, decidiram averiguar em que medida os fatores genéticos determinavam esta resposta variável.  
 

Os investigadores, liderados por Mihai G Netea, focaram-se no papel das citoquinas, pequenos peptídeos utilizados pelas células imunitárias como sinais para guiar a sua resposta contra um agente infecioso. As células imunitárias obtidas a partir de amostras de sangue de 200 indivíduos foram isoladas e expostas a diferentes bactérias e fungos. A resposta de oito citoquinas foi medida após 24 horas e/ou sete dias.
 

O estudo apurou que existiam grandes diferenças na produção de citoquinas entre indivíduos e que as respostas também dependiam dos agentes patogénicos em causa. Na opinião dos investigadores estes resultados sugerem que as citoquinas contribuem para as diferentes respostas aos agentes patogénicos e que cada infeção desencadeia uma resposta específica.
 

Posteriormente, os investigadores decidiram averiguar se as respostas eram controladas geneticamente, tendo testado num subgrupo de indivíduos quatro milhões de polimorfismos de nucleotídeo único (SNP, sigla em inglês). Isto conduziu à identificação de seis regiões genómicas que influenciam as respostas das citoquinas, o que sugere que a produção destas é, em parte, determinada geneticamente. Um dos exemplos é um SNP que afeta a expressão do gene GOLM1, conhecido por estar fortemente expresso em resposta às infeções virais. No estudo verificou-se uma associação forte à resposta ao fungo Candida albicans, responsável por milhares de mortes anualmente.
 

Vinod Kumar, um dos autores do estudo, refere que quando um SNP está presente, a produção de uma citoquina específica, a IL-6, fica reduzida.
 

Os investigadores verificaram que a presença deste fungo no sangue de um grupo específico de indivíduos estava associado ao mesmo SNP e a níveis baixos da IL-6. Estes resultados sugerem que a presença da variante genética dificulta a eliminação do fungo.
 

Na opinião dos autores do estudo, estes resultados podem ajudar a identificar marcadores genéticos que consigam prever o risco de infeção e conduzir a novas abordagens terapêuticas.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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