Como o futebol se tornou popular?

Aversão ao sexo ajudou a difundir o desporto em Inglaterra

22 junho 2005
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A «aversão vitoriana» à sensualidade, feminilidade masculina e masturbação foi fundamental para o desenvolvimento e popularização do futebol moderno, no final do século XIX, em Inglaterra, de acordo com um livro recém-lançado naquele país.
 

 

A tese é defendida pelo investigador britânico David Winner em «Those Feet: A Sensual History of English Football». Porque, assegurou o especialista num resumo do livro, publicado recentemente no jornal The Times, «o sexo era considerado uma coisa animalesca e os ingleses eram pressionados a “dominar a besta”, como se os seus corpos fossem animais selvagens africanos».
 

 

O clima na época é ilustrado por uma frase atribuída ao escritor Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes e, também ele, jogador numa equipa de Portsmouth: «É melhor que os nossos desportos sejam um pouco rudes do que correr o risco da efeminação».
 

 

Mas, segundo Winner, o que preocupava mais os vitorianos era a masturbação, considerada uma doença mental que mutilava e matava. Por isso, segundo o escritor, o director de um tradicional colégio de Harrow chegou a exigir que os bolsos dos calções dos alunos fossem cosidos.
 

 

De acordo com o livro, nos primórdios do futebol, até as regras eram discutidas com base no argumento «coisas de homem». Assim, os adversários de um jogo mais limpo argumentavam que as caneladas não eram «coisas de homem».
 

 

Winner sustenta que por aconselhar o que eram consideradas qualidades, tais como imperialismo e militarismo, o desporto de origem nobre foi logo adoptado por escolas, igrejas e associações juvenis como as Boys Brigades e chegou às classes trabalhadoras.
 

 

«A maioria dos grandes clubes foi criada na década de 1880, assim como a Liga de Futebol, nas zonas industriais de Lancashire e Midlands», explicou Winner, acrescentando que «quase metade dos clubes da primeira divisão (inglesa) começou como equipas de igreja.»
 

 

A preocupação com a sensualidade, na Inglaterra da segunda metade do século XIX, pode ser explicada, segundo Winner, pela insegurança com o futuro do Império Britânico. «A elite estava tomada pela ideia de que o seu império poderia seguir o caminho do Império Romano – derrubado, segundo o historiador Edward Gibbon, pela decadência sexual».
 

 

Para o escritor, os aspectos mais militaristas do futebol vitoriano foram desaparecendo depois da Primeira Guerra Mundial, mas o legado do futebol como «coisa de macho» ainda pode ser observado – sobretudo na linguagem futebolística.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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