Como o cérebro reage ao frio?

A chave está num conjunto de neurónios específicos

19 fevereiro 2002
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A sensação de frio foi explicada por uma equipa de cientistas espanhóis como um complexo mecanismo bioquímico em neurónios sensoriais. A descoberta, anunciada na semana passada no jornal espanhol El Pais , tem uma explicação. Apesar do que se pensava até ao momento, não se tratam de moléculas especiais sensíveis ao frio, mas da acção coordenada de diferentes canais iónicos desses neurónios. Mas só alguns neurónios sensoriais com propriedades biofísicas muito específicas reagem ao frio.
 

 

"As sensações de frio são medidas por terminais nervosos - termo-receptores - que são excitados pelas baixas temperaturas e pelo mentol", explicam Félix Viana, Elvira de la Peña e Carlos Belmonte, do Instituto de Neurociências da Universidade de Alicante, Espanha.
 

 

A chave da sensação de frio está no sistema de sinais eletroquímicos entre as células cerebrais, mais precisamente nos vários canais iónicos, que actuam em equilíbrio. Quando esse sistema se desajusta pode-se produzir uma perda da sensação de frio ou, ao contrário, induzir essa condição nos neurónios previamente insensíveis.
 

 

Mas apenas um subconjunto de neurónios se encarrega da sensação de frio. Belmonte explicou ao El Pais que a sensação está associada ao estreitamento de um determinado canal iónico. O estudo permitiu saber que os receptores - que se encontram na superfície corporal - enviam constantemente informação para o cérebro sobre as condições ambientais de frio e calor. "É a primeira vez que se analisa a caracterização dessas células. Até o momento desconhecíamos esse mecanismo de sinalização e acredito que alcançamos um modelo válido", adiantou Viana.
 

 

O estudo, cujos resultados também foram publicados na revista Nature Neuroscience, começou há dois anos. Os cientistas trabalharam com células de ratos em cultivo, tendo comparado o comportamento dos neurónios sensíveis ao frio com os dos neurónios insensíveis. Descobriram, então, que embora a descida rápida de temperatura provoque o estreitamento de um canal iónico concreto em ambos os tipos, esta acciona uma resposta de excitação posterior nos neurónios sensíveis ao frio.
 

 

Em questão de tamanho, também os neurónios sensíveis ao frio são os menores, e muitos deles excitam-se com uma descida de temperatura de apenas cinco graus, em relação aos 33 graus de temperatura de referência, enquanto outros não manifestam uma reacção ao estímulo térmico até uma queda de temperatura de 10 graus.
 

 

Sabe-se que o mentol excita os receptores periféricos responsáveis pela sensação de frio. A equipa de cientistas também conseguiu comprovar que os neurónios sensíveis ao frio reagem, de facto, a este estímulo em temperatura ambiente, enquanto os insensíveis não o fazem.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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