Como evoluiu o sistema imunológico para combater o VIH?

Estudo publicado na revista “PLOS Genetics”

26 julho 2016
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Investigadores americanos modelaram matematicamente os processos coevolutivos que descrevem como os anticorpos e os vírus interagem e se adaptam um ao outro durante o curso de uma infeção crónica, como é o caso da VIH/Sida, refere um estudo publicado na revista “PLOS Genetics”.
 

Tem sido extremamente difícil desenvolver uma vacina contra o VIH, em parte porque o vírus reproduz-se rapidamente e evolui para escapar ao ataque do sistema imunitário. “Um único indivíduo com VIH tem milhões de estirpes de vírus a circular no organismo”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Joshua Plotkin.
 

No entanto, o sistema imunitário também pode evoluir. Os linfócitos B produtores de anticorpos competem entre si para sobreviver e proliferar dependendo da forma como se ligam aos agentes invasores. Estas células produzem diferentes tipos de anticorpos no decurso da infeção.
 

Neste estudo, os investigadores da Universidade de Princeton, nos EUA, tiveram em conta as condições através das quais o sistema imunitário dá origem a anticorpos amplamente neutralizantes que podem derrotar uma vasta gama de estirpes virais, tendo como alvo as partes mais vitais e imutáveis do genoma viral.
 

Os cientistas focaram-se nas estatísticas das interações das ligações entre o vírus e os anticorpos. O modelo desenvolvido calculou as afinidades de ligação médias entre toda a população de estirpes virais e o repertório de anticorpos ao longo do tempo de forma a perceber como estes se desenvolviam conjuntamente.
 

O resultado destas interações foi convertido numa curva em forma de S, em que, por vezes, o sistema imunológico parece controlar a infeção com níveis elevados de ligação, mas, posteriormente, surge uma mutação no vírus que pode escapar à neutralização e, consequentemente, as afinidades diminuem. Esta assinatura é indicadora de um sistema que não está em equilíbrio, onde os vírus estão a responder aos anticorpos e vice-versa.
 

Os investigadores verificaram que o modelo era consistente com dados de uma infeção real. Foram recolhidos anticorpos de dois indivíduos com VIH em diferentes ocasiões. Estes anticorpos foram colocados a “competir” contra vírus que tinham estado no organismo dos hospedeiros em diferentes momentos do curso da infeção. Verificou-se que os vírus recolhidos no início da infeção eram amplamente neutralizados pelos anticorpos presentes em períodos mais avançados, mas conseguiam competir com os anticorpos recolhidos no início da infeção.
 

Experiências posteriores sugeriram que o contacto do sistema imunitário com uma grande diversidade de antigénios virais é a melhor forma de encorajar o aparecimento de anticorpos amplamente neutralizantes. Estes resultados têm implicações importantes no desenvolvimento de vacinas contra o VIH e outras infeções crónicas.
 

“Esta não é uma receita como desenhar uma vacina contra o VIH. Contudo, o nosso trabalho fornece alguma orientação quantitativa de como levar o sistema imunológico a produzir anticorpos amplamente neutralizantes”, concluiu Joshua Plotkin.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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