Como esquecer memórias indesejáveis?

Estudo publicado na revista “Neuron”

22 outubro 2012
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O cérebro tem duas formas de voluntariamente esquecer as memórias indesejadas. Estes resultados publicados na revista “Neuron” poderão ajudar a explicar como é que as pessoas poderão lidar com as experiências indesejadas, assim como conduzir ao desenvolvimento de novos tratamentos para os distúrbios do controlo de memória.


Estudos anteriores já tinham demonstrado que as pessoas são capazes de bloquear memórias. Apesar de vários estudos terem analisado os sistemas cerebrais envolvidos no esquecimento intencional, ainda não tinham, até à data, descoberto quais as táticas utilizadas ou as vias neuronais envolvidas.


Na opinião dos investigadores da University of Cambridge, no Reino Unido, há duas formas possíveis de esquecer as memórias indesejadas: suprimi-las ou substituí-las por memórias mais agradáveis.


De forma a testar esta hipótese, os autores do estudo utilizaram imagens de ressonância magnética funcional para analisar a atividade dos participantes que tinham assimilado associações entre pares de palavras. Posteriormente foi-lhes solicitado para esquecer estas memórias, bloqueando ou recordando outras memórias substitutas.


O estudo apurou que, apesar de ambas as estratégias serem eficazes, ativavam dois circuitos neuronais distintos. Foi verificado que durante a inibição da memória, uma estrutura cerebral conhecida por córtex pré-frontal dorsolateral inibia a atividade de uma região do cérebro envolvida na memória, o hipocampo. Por outro lado, a substituição da memória foi apoiada pelo córtex pré-frontal caudal e córtex pré-frontal ventrolateral, duas regiões do cérebro envolvidas em recuperar memórias específicas na presença de memórias que causam distração.


“Uma maior compreensão destes mecanismos poderá ajudar a compreender melhor as doenças caracterizadas por uma deficiente regulação das memórias, como o stress pós-traumático. O facto de existirem dois processos que podem contribuir para o esquecimento das memórias indesejadas pode ser útil, na medida em que alguns indivíduos poderão ser naturalmente mais capazes de utilizar uma ou outra alternativa”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Roland Benoit.


ALERT Life Sciences Computing, S.A. 

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