Como é que os neurónios respondem ao jejum?

Estudo publicado na revista “Neuron”

13 fevereiro 2012
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Investigadores americanos descobrem como é que as células do cérebro respondem ao jejum, proporcionando assim informações importantes sobre os complexos mecanismos que controlam a alimentação, revela um estudo publicado na revista científica “Neuron”.

 

Existem dois tipos de células cerebrais que desempenham um papel importante na regulação dos comportamentos alimentares, os neurónios que expressam o péptido relacionado com o agouti (AgRP) e os neurónios que expressam a proopiomelanocortina (POMC).

 

Estudos anteriores demonstraram que os neurónios que expressam o AgRP promovem a alimentação e o aumento do peso, enquanto os POMC estão associados com a supressão do apetite e perda do peso.

 

“Tendo em conta a sua influência no controlo dos comportamentos alimentares, há um grande interesse no conhecimento em torno dos fatores que regulam a atividade dos neurónios que expressam o AgRP e a POMC”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Bradford B. Lowell. “Contudo, apesar destes dois tipos de neurónios receberem vários estímulos excitadores e inibidores, não se tinha, até ao momento, prestado muita atenção à sua influência.”

 

Neste estudo os investigadores da Harvard Medical School, nos EUA, analisaram o impacto dos estímulos excitadores  nos neurónios que expressavam o AgRP e a POMC, através da manipulação dos recetores NMDA que existem em cada tipo de célula. Estes recetores recebem estímulos do maior neurotransmissor excitador  no cérebro.

 

Curiosamente, foi verificado que apenas os ratinhos que não expressavam este recetor NMDA nos neurónios AgRP apresentavam alterações no peso e na ingestão de alimentos. Assim, este tipo de informação é apenas importante para o funcionamento dos neurónios AgRP. 

 

Os investigadores também constataram que o jejum, que já se sabia ativar os neurónios AgRP e promovia tanto a alimentação como a conservação de energia, estava associado com um aumento dos sinais de ativação e a um aumento do número de espinhas dendríticas nos neurónios AgRP. As espinhas dendríticas são protuberâncias físicas dos neurónios que recebem os sinais externos. Estas alterações induzidas pelo jejum nos neurónios AgRP eram também dependentes da presença dos recetores NMDA.

 

Os resultados do estudo sugerem que a informação recebida pelos neurónios AgRP desempenha um papel importante na regulação da ligação dos neurónios AgRP, no controlo celular e na resposta ao jejum.

 

“O próximo passo será a identificação dos neurotransmissores e das hormonas que modulam os sinais ativadores dos neurónios AgRP, e os mecanismos através dos quais esta modulação ocorre”, conclui Bradford B. Lowell.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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