Como é que os antidepressivos actuam?

Estudo publicado na “Molecular Psychiatry”

15 abril 2011
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Investigadores do Institute of Psychiatry, do King's College London, no Reino Unido, descobriram a forma como os antidepressivos conduzem à formação de novas células cerebrais, o que poderá ajudar no desenvolvimento de fármacos que combatam a depressão de uma forma mais eficaz.
 

Estima-se que em 2020 a depressão seja considerada a segunda maior causa de doença em todo o mundo. Estudos recentes têm demonstrado que os pacientes deprimidos apresentam uma redução num processo chamado de "neurogénese", caracterizado por uma redução no desenvolvimento de novas células cerebrais. Esta redução da neurogénese pode contribuir para os sintomas característicos da depressão, tais como a tristeza ou a falta de memória. Os tratamentos disponíveis não conseguem operar melhorias em quase metade dos indivíduos deprimidos. Sendo assim, o desenvolvimento de novos antidepressivos mais eficazes continua a ser um grande desafio, o que torna essencial a identificação de novos potenciais mecanismos-alvo.
 

Estudos anteriores haviam já demonstrado que os antidepressivos conduzem à formação de novas células cerebrais. Contudo, ainda não se sabia de que forma ocorria este processo.
 

Para este estudo, que foi publicado na revista científica “Molecular Psychiatry”, os investigadores liderados por Christoph Anacker utilizaram células estaminais do hipocampo humano como modelo para investigar os efeitos dos antidepressivos nas células cerebrais.
O estudo, que usou pela primeira vez um modelo clinicamente relevante, mostrou que os antipressivos conduziam a uma maior produção de células estaminais e aceleravam também a sua diferenciação em células cerebrais adultas. Adicionalmente, foi também demonstrado que as hormonas associadas ao stress, que estão presentes em elevados níveis nos pacientes deprimidos, têm o efeito oposto.
 

Os investigadores descobriram que o receptor glucocorticóide é uma proteína essencial para que ocorra este processo. Além disso, verificou-se que os antidepressivos activam esta proteína, a qual está envolvida na diferenciação das células estaminais imaturas em células cerebrais adultas. Christoph Anacker explica em comunicado enviado à imprensa que “através do aumento do número de novas células cerebrais, os antidepressivos conseguem combater os efeitos prejudiciais das hormonas associadas ao stress e ultrapassar as alterações cerebrais que conduzem à tristeza e à falta de memória”.
 

O investigador conclui assim que “após ter-se identificado que o receptor glucocorticóide desempenha um papel importante na produção de novas células cerebrais, estamos agora aptos a usar este novo modelo de células estaminais para modelar esta doença psiquiátrica em laboratório, testar novos fármacos e desenvolver antidepressivos mais eficazes".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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