Como é que o organismo deteta sinais precoces de cancro?

Estudo publicado na revista “Nature”

31 julho 2017
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Uma equipa de investigadores descobriu a forma como as células detetam danos no seu ADN, que é uma marca distintiva do cancro, e como o organismo mantém-se vigilante em relação à doença.
 
Num estudo conduzido por uma equipa de investigadores liderada por Karen Mackenzie, da Unidade de Genética Humana da Universidade de Edimburgo, Escócia, o achado proporcionou novas pistas sobre a forma como as células cancerígenas potenciais são sinalizadas de forma a serem removidas pelos sistemas de vigilância naturais do organismo antes da formação de tumores.
 
Uma molécula chave conhecida como cGAS liga-se ao ADN , o que faz desencadear inflamação. Até à data não se sabia ao certo como tal acontece, pois, o ADN está normalmente separado do resto da célula, dentro de um compartimento conhecido como núcleo. 
 
Quando existem danos os fragmentos de ADN  podem separar-se no núcleo e formar estruturas conhecidas como micronúcleos. Os investigadores neste estudo descobriram que as cGAS podem penetrar nesses micronúcleos e ligar-se ao ADN, despoletando assim mecanismos que conduzem à inflamação.
 
Considerando que os danos no ADN constituem frequentemente uma das etapas precoces do desenvolvimento do cancro, a deteção dos micronúcleos pelas cGAS poderá tornar-se num sistema de alarme precoce importante, permitindo que o organismo detete e remova as células potencialmente cancerígenas.
 
Os investigadores consideram que este achado poderá ajudar a explicar a forma como ocorre a inflamação em certos tipos de doenças autoimunes.
 
“Os nossos achados proporcionam um novo mecanismo possível para a forma como o organismo se protege contra o cancro, mas que em algumas circunstâncias pode em vez disso desencadear uma doença inflamatória”, comentou a autora principal do estudo.
 
Este estudo poderá ser a base para o desenvolvimento de melhores abordagens terapêuticas.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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