Como é que o cérebro gera movimento coordenado?

Estudo publicado na revista “eLife”

16 novembro 2015
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Investigadores do Centro Champalimaud desenvolveram uma ferramenta nova para estudar como é que o cérebro gera movimento coordenado, dá conta um estudo publicado na revista “eLife”.
 
O estudo, liderado por Megan Carey, baseou-se em animais que têm uma degeneração de umas células específicas na zona de cerebelo o que leva a uma descoordenação motora.
 
"Descobrimos que o movimento individual das patinhas do ratinho era preservado, o que estava perturbado era a combinação do movimento todo e [o animal] não conseguia combinar o movimento quando caminhava", explicou hoje à agência Lusa Ana Machado, uma das investigadoras que participou no trabalho. 
 
A combinação desses movimentos com as diferentes partes, por exemplo, "das patas é descoordenada, mas o movimento individual da pata estava intacto", ou seja, o problema centra-se na coordenação, explicou.
 
Caminhar é uma forma natural nos animais e é possível observar o movimento, que exige coordenação de braços e pernas, manter uma postura, fixar a cabeça.
 
Ana Machado explicou que, por exemplo, os animais que não têm qualquer degeneração conseguem manter ativamente a cauda controlada, enquanto os animais que têm este problema nas células neste circuito específico, "não tinham a capacidade de controlar o movimento da cauda, era como se fosse um pêndulo".
 
Foi a partir desta observação que os cientistas criaram um modelo, chamado de LocoMouse, para explicar o que estava a acontecer neste tipo de movimento.
 
O próximo passo é "tentar perceber muito bem onde, no circuito, isto está a acontecer e por isso temos formas de controlar especificamente células desse circuito para tentar compreender o que estas estão a provocar ou que estão a alterar o comportamento e depois corrigir mais tarde", realçou.
 
O projeto foi desenvolvido por três investigadores portugueses e dois norte-americanos e vai permitir que o sistema LocoMouse possa ser utilizado por qualquer investigador e possa ajudar no seu trabalho, disse a cientista.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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