Como é que o cérebro controla a hidratação e temperatura corporal?

Estudo publicado na revista “Cell Reports”

19 outubro 2015
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Investigadores americanos identificaram a estrutura de uma proteína chave localizada no cérebro que está envolvida na hidratação do organismo e é capaz de controlar a temperatura, dá conta um estudo publicado na revista “Cell Reports”.
 
O estudo levado a cabo pelos investigadores das universidades McGill e Duke, nos EUA, pode ter implicações clínicas importantes, uma vez que esta proteína pode ser um alvo para o desenvolvimento de tratamentos e testes de diagnóstico para muitos problemas de saúde associados ao desequilíbrio de fluidos corporais.
 
“Identificámos o que pensamos ser a primeira proteína que permite que o cérebro monitorize a temperatura fisiológica e isto é importante na medida que esta proteína contribui para que o cérebro detete o calor e desencadeie respostas adaptativas como a sede”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Charles Bourque.
 
De acordo com os investigadores, acredita-se que esta proteína, que regula o fluxo de iões através da membrana celular, desempenhe um papel crucial no equilíbrio de fluidos corporais, como a água ou o sangue, bem como nos níveis de sódio. Alterações na sua regulação podem estar envolvidas na ligação do sal à hipertensão, e na retenção de líquidos após um enfarte agudo do miocárdio, sépsis ou trauma cerebral.
 
Esta equipa de investigadores está a estudar como o cérebro controla a osmorregulação, ou seja, a manutenção do equilíbrio de sal e água nas membranas nos fluidos corporais. A modificação da osmorregulação pode ter graves consequências para a saúde. Na verdade, o sódio é necessário para regular o teor de água no organismo, pelo que níveis elevados de sal podem ser prejudiciais para os rins e conduzir ao aumento da pressão sanguínea. 
 
De acordo com o Charles Bourque, as alterações no equilíbrio dos fluidos corporais são uma das razões mais frequentes de hospitalizações. O investigador dá como exemplo a hiponatremia, uma condição em que os níveis de sódio no sangue se encontram anormalmente baixos. Quando isto ocorre, os níveis de água aumentam e as células do cérebro começam a aumentar de volume, conduzindo a náuseas, vómitos e dores de cabeça. Este é um problema bastante comum nos idosos, que pode resultar em alterações da função cognitiva e mesmo em convulsões.
 
“Agora que descobrimos a estrutura da proteína podemos tentar perceber como este canal iónico está envolvido em condições como a hiponatremia. Isto pode fornecer-nos ferramentas para modificar os mecanismos de ação do canal e também prevenir ou tratar a condição”, conclui um dos autores do estudo, Cristian Zaelzer.
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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