Como é que cérebro reage ao stress?

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

07 outubro 2011
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A forma como o cérebro reage ao stress foi desvendada por uma equipa de neurocientistas do Reino Unido. A partir da análise de parte das células nervosas que são responsáveis pela aprendizagem e memória, o estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences” revelou que é possível alterar o que é recordado, diminuindo, assim, o stress associado a memórias dolorosas.

 

O líder da investigação, Robert Pawlak, da University of Leicester, no Reino Unido, explica que o stress diário altera a morfologia das células nervosas, o número de ligações com outras células e a forma como estas comunicam com outros neurónios. Na maioria dos casos estas respostas são adaptativas e benéficas, ajudando o cérebro a lidar com o stress e a encontrar reacções comportamentais adequadas.

 

Contudo, em momentos de stress intenso o cérebro pode perder o controlo e as células nervosas do hipocampo, uma área do cérebro envolvida na aprendizagem e memória, deixam de comunicar com outras células e apresentam sinais de doença. Uma das estratégias utilizadas pelas células nervosas para ultrapassar o stress é através da alteração de pequenos processos de troca de informação com outros neurónios, nos quais as espinhas dendríticas desempenham um papel importante. Estas pequenas protuberâncias existentes nos neurónios estão envolvidas no processo de recordação dos eventos apreendidos. Este facto nem sempre é benéfico, pois alguns eventos stressantes devem ser rapidamente esquecidos, caso contrário podem dar origem a transtornos de ansiedade.

 

Neste estudo, os investigadores identificaram uma proteína, a lipocalina-2, produzida pelas células nervosas em resposta ao stress. A lipocalina-2 diminui o número de espinhas dendríticas e, consequentemente, reduz a ansiedade futura associada a eventos stressantes.

 

Através de estudos realizados em ratinhos, os investigadores concluíram que a produção desta proteína tem por objectivo proteger contra a ansiedade exagerada e ajudar a lidar com os eventos adversos da vida.

 

Os investigadores revelaram que estão cada vez mais perto de perceber os mecanismos moleculares associados ao stress que, se não funcionarem correctamente, podem conduzir a doenças psiquiátricas associadas ao stress, as quais, segundo os autores, afectam mais de 30% da população.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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