Como é que as bactérias inativam fármacos para doenças cardíacas?

Estudo publicado na revista “Science”

30 julho 2013
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Já há algumas décadas que os médicos têm conhecimento que os microrganismos presentes nos intestinos influenciam o efeito dos fármacos. Neste estudo publicado na revista “Science” identificaram os genes que parecem ser responsáveis por determinadas estirpes de bactérias inativarem um composto de um fármaco habitualmente utilizado no tratamento das doenças cardíacas.
 

“Usualmente associa-se os microrganismos do intestino ao modo como estes influenciam a digestão. No entanto, existem cerca de 40 fármacos que são afetados por este tipo de microrganismos. Contudo, apesar de este tema já ser debatido há várias décadas, ainda não se sabe realmente quais os microrganismos que estão envolvidos e como eles metabolizam os compostos”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Peter Turnbaugh.
 

De forma a responder a estas questões, os investigadores da Faculty of Arts and Sciences, nos EUA, centraram-se num dos mais antigos glicosídeos cardíacos, a digoxina, que é habitualmente prescrita no tratamento da insuficiência cardíaca e a arritmia.
 

Em 1980 um grupo de investigadores da Colômbia apurou que a bactéria Eggerthella lenta (E. lenta) era capaz de inativar este composto. Contudo, até à data os investigadores ainda não tinham conseguido perceber de que forma a bactéria exercia esta ação sobre a digoxina.
 

Neste estudo, os investigadores começaram por fazer crescer a bactéria na presença ou ausência da digoxina e analisaram se determinados genes ficavam ativados na presença do composto. Foi verificado que a expressão de dois genes ficava aumentada na presença da digoxina. Os investigadores explicaram que estes genes codificam enzimas que são capazes de converter a digoxina na sua forma inativa. “Através da quantificação da expressão dos genes foi possível prever se uma determinada comunidade microbiana era capaz de metabolizar o fármaco”, disse Peter Turnbaugh.
 

O estudo revelou ainda que este processo de metabolização do fármaco poderia ser impedido pela adição de um aminoácido, a arginina.
 

“Os nossos resultados enfatizam a necessidade de verificar se é possível perecer ou impedir a inativação dos fármacos pelos microrganismos nos pacientes cardíacos. Se assim for, talvez um dia seja possível aconselhar determinada dieta, ou coadministrar o fármaco com um inibidor como a arginina”, conclui o investigador.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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