Como é que as bactérias combatem o flúor presente nas pastas dentífricas?

Estudo publicado na revista “Science”

27 dezembro 2011
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Investigadores americanos descobrem como é que as bactérias conseguem combater os efeitos dos flúor, o qual é usualmente utilizado na pasta dentífrica e na higiene oral para combater as cáries, dá conta um estudo publicado na “Science”.

 

O flúor é amplamente reconhecido pela sua capacidade de reduzir as cáries. Este efeito é causado, em grande parte, pela ligação do flúor ao esmalte dos dentes, protegendo contra os efeitos dos ácidos produzidos pelas bactérias. Contudo, já há muitas décadas que se sabe que elevadas concentrações de flúor também são tóxicas para as bactérias, o que levou alguns investigadores a propor que esta actividade antibacteriana também ajuda na prevenção das cáries.

 

Neste estudo os investigadores da Yale University, nos EUA, descobriram que pequenas secções do RNA mensageiro conhecidas por riboswitches, que controlam a expressão dos genes, detectam a acumulação do flúor e activam as defesas das bactérias, incluindo aquelas que contribuem para o desenvolvimento das cáries.

 

Estas pequenas secções do RNA mensageiro contrariam o efeito do flúor nas bactérias. “Se o fluor se acumula em níveis tóxicos para a célula, uma secção do RNA captura o flúor e activa os genes que superam os seus efeitos”, explica, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Ronald Breaker.

 

Após terem realizado experiências em numerosas espécies, os investigadores concluíram que estas secções de RNA são antigas, o que significa que muitos organismos tiveram que ultrapassar a toxidade do flúor ao longo da sua história.

 

“As células tiveram que aprender a lidar com a toxicidade do flúor durante biliões de anos, tendo para isso desenvolvido sensores precisos e mecanismos de defesa para combater este ião”, explica Ronald Breaker. Agora que estes sensores e mecanismos de defesa são conhecidos será possível manipular estes mecanismos e tornar o flúor ainda mais tóxico para as bactérias, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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