Como é que a prática de exercício físico afeta o cérebro?

Estudo publicado na revista “Neuroscience”

24 maio 2012
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O efeito da prática de exercício físico na memória e no cérebro é dependente da idade, esta é uma das conclusões de um novo estudo publicado na revista “Neuroscience” que também dá conta que a extensão deste efeito benéfico é mediada por um gene específico.

 

Estudos anteriores tinham demonstrado que as crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade que praticavam exercício físico respondiam melhor aos tratamentos do que as crianças mais sedentárias. Estes resultados, conjuntamente com o interesse no conhecimento da memória e das funções cerebrais subjacentes levaram David Bucci a investigar a potencial ligação entre a prática de exercício e a função cerebral.

 

Os investigadores do Department of Psychological and Brain Sciences, Indiana University, EUA, começaram por verificar que o exercício físico diminuía a extensão dos comportamentos dos ratinhos que sofriam de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade. Foi também constatado que a prática de exercício físico era mais benéfica para os ratinhos fêmea do que para os macho, semelhante à forma como a prática exercício físico afeta as crianças do sexo masculino e feminino com este distúrbio psicológico.

 

Posteriormente, os investigadores avaliaram o mecanismo através do qual o exercício melhorava a aprendizagem e memória, tendo constatado que o fator neurotrófico derivado do cérebro estava envolvido neste processo. Foi verificado que o grau de expressão desta proteína estava associado com um aumento da memória dos ratinhos sendo este efeito mais duradouro nos ratinhos jovens do que nos adultos, apesar de terem praticado a mesma quantidade de exercício físico.

 

“A prática de exercício físico durante o desenvolvimento, à medida que o cérebro está a crescer, altera o cérebro em consonância com as alterações normais do desenvolvimento, o que resulta na permanente ativação do cérebro para que este consiga desempenhar melhor as suas funções de aprendizagem e memória. Assim parece-nos importante que as crianças e adolescentes pratiquem exercício físico desde cedo”, revelou, em comunicado de imprensa, David Bucci.

 

Neste último estudo os investigadores tentaram replicar os resultados obtidos em ratinhos, em humanos tendo observado que o efeito benéfico da prática de exercício físico na aprendizagem e memória era dependente do genótipo dos participantes para o fator neurotrófico derivado do cérebro. De acordo com o investigador, estes resultados significam que é possível prever quais as crianças com transtorno do déficit de atenção e hiperatividade responderão melhor ao tratamento com exercício físico, sendo apenas necessário analisar o seu ADN.

 

David Bucci conclui que a noção de que a prática de exercício físico é benéfica para a saúde, nomeadamente para a saúde mental não é nenhuma surpresa. “A questão é como o exercício afeta a função mental e o cérebro”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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