Como é que a fibra alimentar mantém os intestinos saudáveis?

Estudo publicado na revista “Science”

16 agosto 2017
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Uma equipa de investigadores descobriu a forma como os derivados da digestão da fibra alimentar atuam sobre as células intestinais, ajudando-as na manutenção de uma boa saúde intestinal.
 
O achado foi o resultado de um estudo conduzido pelo Sistema de Saúde Davis, na Universidade da Califórnia, Sacramento, EUA, e, além de trazer um maior conhecimento sobre a complexa relação da fibra alimentar com o microbiota intestinal, permitiu identificar um potencial alvo terapêutico para reequilibrar os microrganismos do sistema digestivo.
 
Andreas Bäumler, autor sénior do estudo comenta: “a nossa investigação sugere que a forma de manter a saúde intestinal poderá ser a alimentar os micróbios benéficos com fibra alimentar, que é a sua fonte preferida de subsistência”.
 
“Embora se saiba que os intestinos são o palco de guerras constantes entre micróbios por territórios, o nosso estudo sugere que os sinais gerados pelos micróbios benéficos fazem com que o trato intestinal fica com os seus recursos limitados, o que poderia conduzir a uma expansão de micróbios potencialmente prejudiciais”, continuou.
 
Os micróbios que habitam os intestinos metabolizam a fibra alimentar indigerível, produzindo ácidos graxos de cadeia curta, que sinalizam as células que revestem o intestino grosso de forma a maximizar o consumo de oxigénio, limitando assim o oxigénio que vai para o lúmen intestinal.
 
“O interessante é que as bactérias que conseguem decompor a fibra não conseguem sobreviver num ambiente rico em oxigénio, o que significa que o nosso microbiota e células intestinais trabalham em conjunto para promover um ciclo virtuoso que mantém a saúde intestinal”, explicou Mariana Byndloss, primeira autora do estudo.
 
Neste estudo foi identificado que o recetor gama ativado pelo proliferador de peroxissoma (PPARg) é o regulador responsável por manter este ciclo de proteção. Quando esta via de sinalização funciona mal, conduz a um aumento de oxigénio no lúmen intestinal, tornando o organismo mais suscetível aos agentes patogénicos, como a Salmonella ou a Escherichia coli.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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