Como é que a decomposição da gordura é induzida?

Estudo publicado no “Cell”

29 setembro 2015
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Investigadores portugueses e americanos descobriram que o tecido adiposo é inervado e que a estimulação direta das células nervosas neste tecido é suficiente para decompor a gordura. O estudo publicado na revista “Cell” estabelece assim as bases para o desenvolvimento de novas terapias contra a obesidade.
 
O tecido adiposo constitui entre 20 a 25% do peso corporal, armazenando a energia sob a forma de triglicerídeos. Há cerca de 20 anos Jeffrey Friedman, da Universidade de Rockefeller, nos EUA, descobriu que a hormona leptina, que é produzida pelas células adiposas em quantidades proporcionais à quantidade de gordura, informa o cérebro sobre a quantidade de gordura que está disponível no organismo.
 
A leptina funciona como um sinal neuroendócrino que preserva a massa adiposa do organismo numa gama relativamente estreita de variação. Níveis baixos de leptina aumentam o apetite e reduzem o metabolismo basal, enquanto níveis elevados desta hormona diminuem o apetite e promovem a decomposição das gorduras. Contudo, até à data ainda não se conheciam os circuitos envolvidos no ciclo neuroendócrino, ou seja, como a ação da leptina no cérebro envia sinais ao tecido adiposo para induzir a sua decomposição.
 
Neste estudo os investigadores, liderados pela portuguesa Ana Domingos, utilizaram várias técnicas e constataram que o tecido adiposo branco é inervado. “Dissecámos estas fibras nervosas em ratinhos e através da utilização de marcadores moleculares identificámos neurónios simpáticos”, disse a investigadora. Quando os cientistas utilizaram uma técnica imagiológica ultrassensível no tecido adiposo branco num ratinho vivo, observou-se que as células adiposas podiam ser encapsuladas por estes terminais neuronais simpáticos. 
 
Posteriormente, os investigadores utilizaram ratinhos geneticamente modificados, cujos neurónios simpáticos podiam ser ativados através da luz azul. Foi utilizada uma técnica denominada optogenética para ativar localmente os neurónios simpáticos nas bolsas de gordura dos ratinhos. Verificou-se que houve decomposição e redução da massa do tecido adiposo.
 
O estudo apurou que a ativação local deste tipo de neurónios conduziu à libertação do neurotransmissor norepinefrina que desencadeia uma cascata de sinais nas células adiposas que levam à hidrólise da gordura. Na ausência destes neurónios, a leptina é incapaz de provocar a decomposição da gordura.
 
“Estes resultados fornecem uma nova esperança para o tratamento da resistência central da leptina, uma condição na qual o cérebro dos indivíduos obesos são sensíveis a esta hormona”, disse Ana Domingos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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