Como é possível tornar uma cirurgia tão segura como andar de avião?

Pilotos da TAP treinam profissionais de saúde

22 novembro 2012
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Comandantes da TAP treinam profissionais de saúde do Hospital CUF Porto, transformando um bloco operatório num cockpit e dão um alerta de como é possível tornar uma cirurgia tão segura como andar de avião.

“Tanto cirurgiões como pilotos são profissionais altamente qualificados, trabalham em ambientes tecnológicos e o seu negócio é lidar com a vida as pessoas, no sentido de as proteger, mas a cultura do erro é muito diferente nestas duas profissões”, revelou à agência Lusa o médico Costa Maia.
 

De acordo com o cirurgião, o objetivo é que as equipas de profissionais que estão num bloco operatório (médicos, enfermeiros, etc.) aprendam com os pilotos a sua “cultura de segurança”. “Na aeronáutica, usa-se o erro sem culpa, reporta-se o erro no sentido de o evitar. Na medicina, esconde-se o erro e tenta-se arranjar desculpas para não o relatar”, disse o cirurgião.

 

Reduzir complicações e mortes, tendo por base procedimentos de segurança seguidos na aviação, como listas de verificação (checklist), por exemplo, é o grande objetivo desta troca de experiências entre pilotos e profissionais de saúde.
 

“É uma maneira lúdica de fazer um paralelismo entre a cultura de segurança estabelecida na aeronáutica e o nosso modelo de trabalho disse Costa Maia, que deseja que os profissionais de saúde percebam o quanto é importante “a comunicação, o diálogo e a cultura do erro, para o evitar e não culpabilizar pessoas”.
 

Num cockpit de um avião, comandante e copiloto trabalham em equipa, “com rigor e disciplina” e quando um erro é cometido “é obrigação reportá-lo”, revelou à agência Lusa o comandante Armindo Martins. “Se não reportar o erro, o parceiro do lado irá fazê-lo e esta envolvência é, para nós, natural. Assim se evita que o erro se repita. A realidade dos médicos é diferente, porque não têm cultura de reporte”, disse.
 

Para o médico, “é preciso promover a comunicação entre todos num bloco operatório, dando uma uniformidade de linguagem aos elementos da equipa”, à semelhança do que também acontece na aviação.
 

Em 2010, com base em documentação da Organização Mundial de saúde (OMS), a Direção-Geral de Saúde emitiu uma circular normativa referente à implementação em todos os blocos operatórios do programa “Cirurgia Segura Salva Vidas”, com a aplicação de uma lista de verificação de segurança cirúrgica.
 

Estas listas de verificação “não são protocolos de atuação, são oportunidades de verificar que os protocolos foram cumpridos”, disse o médico, salientando, contudo, que seguir o rol de procedimentos “ainda aparece como uma coisa a mais” para muitos profissionais.
 

O cirurgião acrescentou ainda que os pilotos são avaliados anualmente, bem como necessitam de uma determinada qualificação para voar um avião específico. “Nós também devíamos ser avaliados, porque seria importante provar que se tem condições para ser cirurgião. Ter certificação específica para cada área era também importante”, defendeu.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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