Como combater os piolhos multi-resistentes

Cientistas identificam substâncias mais potentes

21 agosto 2002
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São pequenos, escuros e alimentam-se exclusivamente de sangue humano. Os piolhos, uns insectos repelentes sem asas, estão cada vez menos vulneráveis aos principais medicamentos usados para os combater.
 

 

Apesar da praga que atinge as cabeças um pouco por todo o mundo, só recentemente é que uma equipa de investigadores de Massachusetts, Estados Unidos, desenvolveu o primeiro sistema efectivo que permite criar piolhos em laboratório.
 

 

E porquê? As razões prendem-se com o facto dos parasitas estarem cada vez mais resistentes às drogas que os combatem. É que, estes bichinhos pequeninos são verdadeiras máquinas procriadoras. Só para ter uma ideia, cada fêmea deposita de 50 a 100 ovos antes de morrer. E o ciclo de vida completo de um piolho dura aproximadamente um mês. Por isso, não é de estranhar as enchentes de bichos que pulam pelas cabeças dos mais pequenos, alvos mais fáceis desatas pragas.
 

 

Actualmente, a permetrina, substância química extraída das flores do crisântemo, é o principal produto usado no tratamento contra os piolhos. É um dos insecticidas disponíveis mais seguros e pode ser encontrado em shampôos e em outras loções vendidas sem prescrição médica.
 

 

Mas para Kyong S. Yoon, doutorado pela Universidade de Massachusetts e investigador na área, os piolhos já estão imunes a estas fórmulas. Um estudo recente verificou que, em Los Angeles, metade das crianças em idade escolar apresenta infestações de piolhos resistentes à permetrina, enquanto outra investigação, realizada num campo de trabalho de imigrantes, constatou um nível de resistência de 98 por cento.
 

 

 

Resistência
 

 

Um tratamento para combater estas pragas pode sair caro, admitiu o investigador. Além de, comentou, as crianças que frequentam escolas sem políticas de combate a piolhos faltam às aulas e enfrentam provocações dos colegas.
 

 

O uso incorrecto da permetrina está bastante associado ao desenvolvimento de resistência, explicou Yoon. Isto porque, adiantou o responsável, poucos pais lêem as instruções de uso do produto e, por isso, também são poucos os que o utilizam de forma correcta. O restante faz o tratamento por um período muito curto ou longo demais.
 

 

A acção do pesticida DDT é bastante semelhante à da permetrina, o qual permite que um canal de sódio no sistema nervoso do parasita permaneça aberto. Por esse motivo, o emprego disseminado do DDT no passado também pode ter contribuído para o surgimento da resistência, observou o investigador.
 

 

 

Produtos menos tóxicos
 

 

Como alternativa, os médicos começaram a prescrever drogas potentes, como o ivermectin -- droga usada para combater vermes. Mas existem no mercado substâncias menos tóxicas, disse Yoon.
 

 

A equipe liderada pelo investigador testou, em laboratório, cinco cepas de piolhos resistentes e encontrou pouca resistência aos insecticidas abamectina e lindano.
 

 

Estes compostos naturais chamados monoterpenóides, encontrados em óleo de árvore de chá e nos óleos de limão e de laranja, parecem «funcionar muito bem» no combate aos parasitas, informou Yoon. Além da eficácia, estas substâncias têm a vantagem de possuir um cheiro agradável.
 

 

Os piolhos mantidos no laboratório de Yoon vivem em tufos de cabelo humano e recebem um fluxo contínuo de sangue. Por isso, adiantou o cientista, a tecnologia permitirá avaliar o papel dos piolhos na transmissão de doenças.
 

 

O que são
 

 

Os piolhos pertencem à ordem Anoplura. Os ovos, duros e de coloração branca, dão origem às vulgarmente conhecidas lêndias. Estas são depositadas no fio de cabelo, próximo do couro cabeludo. Os locais preferidos para a colocação dos ovos no cabelo são a região da nuca e próximo das orelhas. No entanto, as lêndias podem ser encontradas em todos os locais onde exista cabelo.
 

 

Entre cinco a 14 dias depois da colocação dos ovos, eclodem as ninfas, que são muito semelhantes aos piolhos adultos.
 

Estas crescem e trocam de pele três vezes, isto é, sofrem três mudas antes de atingirem o estágio adulto.
 

Ao sugarem o sangue, pelo menos três vezes ao dia, injectam saliva dentro da ferida para prevenir a coagulação do sangue, por isso dão origem à tão desagradável comichão.
 

 

Mas as coceiras só tem início algumas semanas após a picada. Isto significa que a pessoa já está infestada há pelo menos um mês. Os piolhos não transmitem doenças, são simplesmente um incómodo para a pessoa.
 

 

As infestações são mais comuns em crianças, isto porque entram em contacto mais frequente com os outros. O modo de disseminação ocorre através de contacto directo com objectos infestados com piolhos, tais como chapéus, escovas e pentes, almofadas, encostos de cadeiras, assentos de carros ou em contacto com pessoas com parasitas.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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