Como as hormonas influenciam comportamentos antiéticos

Estudo publicado no “Journal of Experimental Psychology: General”

19 agosto 2015
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As hormonas desempenham um papel duplo no encorajamento e reforço de comportamentos considerados antiéticos, revela um estudo levado a cabo pela Universidade de Harvard e pela Universidade de Texas em Austin, nos EUA.
 
“Apesar de a ciência das hormonas e do comportamento remontar ao início do século XIX, foi apenas recentemente que a ciência revelou exatamente o quão poderosa e difusa é a influência do sistema endócrino no comportamento humano”, adiantou, em comunicado de imprensa, Robert Josephs, um dos autores do estudo.
 
Para esta investigação, os cientistas pediram a 117 participantes que realizassem um teste de matemática, que o corrigissem e que indicassem, de seguida, eles próprios o número de problemas respondidos corretamente. Quantos mais problemas respondessem corretamente, mais dinheiro ganhariam.
 
Os cientistas recolheram amostras de saliva de todos os participantes tanto antes como após o teste e descobriram que aqueles que revelavam níveis mais elevados de testosterona e de cortisol apresentavam maior probabilidade de inflacionar o número de problemas resolvidos corretamente.
 
“A elevação da testosterona diminui o medo de castigo, ao mesmo tempo que aumenta a sensibilidade à recompensa. A elevação do cortisol está associada a um estado desconfortável de stress crónico que pode ser extremamente debilitante”, refere Joseph. “A testosterona faculta a coragem para enganar e a elevação de cortisol fornece a razão para o fazer”, acrescenta. 
 
Além disso, participantes que enganaram apresentaram níveis mais baixos de cortisol e relataram diminuição de stress emocional depois do teste, como se o logro fornecesse uma forma de alívio do stress.
 
Visto que nenhuma das hormonas foi capaz de, isoladamente, prever um comportamento considerado antiético, níveis mais baixos de ambas as hormonas poderão evitar ações antiéticas. 
 
Estudos anteriores haviam já demonstrado que tarefas que recompensam grupos em vez de indivíduos isolados podem eliminar a influência da testosterona no desempenho, e que várias técnicas de alívio do stress, como o ioga, a meditação ou o exercício físico, reduzem os níveis de cortisol.
 
“A mensagem que extraímos dos nossos estudos é que apelos baseados na ética e na moralidade – a abordagem da ‘cenoura’ – e aquelas baseadas em ameaças de castigo – a abordagem do ‘pau’ – poderão não ser eficazes a evitar o logro”, afirma Joseph. “Ao compreender o mecanismo causal subjacente do logro, poderemos vir a ser capazes de conceber intervenções que sejam tanto inovadoras como eficazes.”
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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