Como abrandar o envelhecimento?

Estudo publicado no “Journal of Biological Chemistry”

28 março 2011
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O ADN contem toda a informação genética que faz de nós o que somos, e a manutenção da integridade deste ao longo da vida é uma parte crítica e complexa do processo de envelhecimento. Investigadores americanos descobriram como a manutenção do ADN é regulada, abrindo novas portas para intervenções que poderão melhorar a preservação da nossa informação genética.
 

Estes resultados que foram publicados no “Journal of Biological Chemistry” podem ajudar os investigadores a atrasar o início do envelhecimento e de doenças associadas a este processo, através da diminuição de danos que ocorrem no ADN e que nos torna mais susceptíveis ao cancro e a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Se se conseguir manter o ADN intacto por mais tempo poderemos ajudar a eliminar a doença e o sofrimento que, muitas vezes, acompanha o processo de envelhecimento.
 

Neste estudo, os investigadores liderados por Robert Bambara do departamento de bioquímica e biofísica da University of Rochester Medical Center, nos EUA, constataram que um processo denominado de acetilação regula a manutenção do nosso ADN. Foi descoberto que este processo determina o grau de fidelidade da replicação e da reparação do ADN.
 

Esta descoberta foi baseada em estudos anteriores, que estabeleceram que à medida que o ser humano evoluiu, foram criadas duas vias para a replicação e reparação do ADN. Uma via padrão que elimina alguns danos e mutações rapidamente, mas com menos precisão, e uma outra via que é mais precisa, que elimina a maior parte dos danos e mutações, mas que é mais lenta.
 

Só uma pequena parte do nosso ADN envolvido na produção de todas as proteínas que constituem o nosso organismo - nomeadamente as proteínas das células sanguíneas, células cardíacas, células do fígado, etc - ingressa pela via mais precisa, a qual necessita de mais energia. Mas a maior parte do nosso ADN, que não está envolvido na produção de proteínas, envereda pela via padrão, que requer menos energia.
 

Contudo, até agora os investigadores ainda não tinham entendido o que controla a via que o ADN vai seguir. Os investigadores descobriram que tal como um sinaleiro que ajuda o tráfego a fluir num cruzamento movimentado, o processo de acetilação também direcciona o ADN favorecendo a protecção daquele envolvido na síntese de proteínas, conduzindo-o para a via mais precisa.
 

Em comunicado enviado à imprensa, Robert Bambara revelou que "se nós encontrarmos um meio para melhorar a protecção do ADN envolvido na produção de proteínas, basicamente aumentando o que já faz o nosso corpo para eliminar os erros, poderemos ajudar a viver mais tempo. Um tratamento que poderia causar uma pequena alteração neste mecanismo de regulação da acetilação poderia ajudar a alterar o início médio do desenvolvimento dos cancros e doenças neurológicas, para muito além daquilo que acontece actualmente."
A chave, segundo o líder da investigação, seria ”uma simples abordagem preventiva, não para a imortalidade, mas para já, para uma vida sem doença".

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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