Como a malária “ataca” a placenta

Mecanismo molecular está a ser usado no desenvolvimento de uma vacina

16 setembro 2001
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A malária é uma doença grave em qualquer pessoa, mas é muito perigosa em grávidas. Além de colocar em risco a mulher, a presença do parasita na placenta aumenta a probabilidade de parto prematuro, aborto e baixo peso ao nascimento.
 

 

Uma equipa de cientistas suecos do Instituto Karolinska e Instituto Sueco de Controlo de Doenças Infecciosas, em Estocolmo, descobriu, agora, como o parasita da malária se introduz na placenta durante a gravidez. Esta descoberta, segundo os autores do estudo, pode possibilitar o desenvolvimento de uma vacina contra a malária para mulheres grávidas.
 

 

Do mapeamento do mecanismo molecular apresentado pelos cientistas ressalta um aspecto curioso: o perigo de complicações é maior em mulheres que são infectadas com malária durante a primeira gravidez. Ao invés, e caso a mulher tenha mais um filho, o risco de desenvolver malária na placenta diminui, provavelmente porque a futura mãe tenha desenvolvido imunidade contra a doença.
 

 

O estudo apresentado na reputada revista “Science” explica como a malária afecta os fetos, bem como a acumulação de parasitas na placenta.
 

 

Como acontece
 

 

 

O parasita da malária incute uma espécie de “fita cola”, chamada PfEMP1, na superfície dos glóbulos vermelhos infectados. Essa cola liga-se, então, aos anticorpos normais do sangue chamados imunoglobulinas.
 

 

Quando isso acontece, estas células infectadas movem-se usando o sistema de transporte da placenta que foi formado para carregar as imunoglobulinas.
 

 

É precisamente os glóbulos vermelhos infectados na placenta os responsáveis pelos abortos, mortes fetais e baixo peso no nascimento.
 

 

Vacina em desenvolvimento
 

 

Em investigação paralela com a equipa de Estocolmo, cientistas do Instituto Biomédico de Seattle estão a desenvolver uma vacina para prevenir a malária em grávidas.
 

 

Em testes experimentais, a nova arma de protecção contra a malária usa a “cola” PfEMP1, de modo a impedir que o parasita se ligue aos glóbulos vermelhos do sangue.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Science
 

 

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