Como a alimentação regula a energia do cérebro?

Estudo publicado na revista “Neuron”

09 dezembro 2011
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A ingestão de uma dieta equilibrada é essencial para manter um peso corporal saudável, assim como o balanço energético, mas os pormenores sobre como os nutrientes que consumimos são detectados e processados no cérebro são ainda imperceptíveis.

 

Agora, um estudo traz novas informações sobre como os nutrientes da dieta influencia as células do cérebro que são reguladores-chave do equilíbrio energético do corpo. O estudo publicado na revista “Neuron” sugere um mecanismo celular que poderá permitir às células do cérebro traduzir diferentes dietas em diferentes padrões de actividade.

 

"A composição nutricional das refeições, tais como os hidratos de carbono (açúcar) tem sido reconhecida por afectar os níveis de excitação e atenção", explicou o líder da investigação, Denis Burdakov, da Universidade de Cambridge.

 

"No entanto, quando certos neurónios especializados conhecidos por detectarem nutrientes individuais, como o açúcar, ficamos sem saber como as típicas combinações alimentares de nutrientes afectam os circuitos cerebrais de regulação do balanço energético."

 

A chave é uma substância conhecida como orexina ou hipocretina, produzida por alguns neurónios. Essa substância é um dos principais reguladores que mantêm o corpo desperto, e que também têm uma importante actuação no equilíbrio de energia.

 

Surpreendentemente, o estudo revelou que as misturas fisiologicamente relevantes de aminoácidos, os nutrientes derivados as proteínas (como clara de ovo), estimulavam e activavam os neurónios produtores de orexina / hipocretina. Os cientistas mostraram que quando os neurónios produtores de orexina / hipocretina eram simultaneamente expostos a aminoácidos e açúcares, os aminoácidos serviam para suprimir a influência inibitória da glicose. “Nós descobrimos que a actividade no sistema orexina / hipocretina é regulada pelo equilíbrio de macronutrientes, em vez de simplesmente pelo valor calórico da dieta, sugerindo que o cérebro contém não só células que detectam a energia, mas também células que podem medir o equilíbrio da dieta", conclui Dr Burdakov.

 

“Os nossos dados apoiam a ideia de que os neurónios produtores orexina/hipocretina estão sob controlo dos açúcares e das proteínas. Curiosamente, embora os efeitos comportamentais estejam além da análise do nosso estudo, esse modelo celular é consistente com relatórios que dizem que as refeições ricas em proteínas são mais eficazes que as dietas ricas em açúcar para estimular as pessoas”, explicou um dos autores do estudo, Denis Burdakov, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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