Comité norte-americano de bioética diz não à clonagem reprodutiva

Mas a clonagem para a investigação biomédica dividiu as opiniões

12 julho 2001
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A clonagem consagrada à investigação biomédica pode ser aceitável, indicou quinta-feira o comité de bioética responsável pelo aconselhamento do governo norte-americano nesta matéria, rejeitando, no entanto, a utilização da técnica para criar uma criança.
 

 

Num relatório entregue ao presidente George W. Bush, o Conselho presidencial sobre a bioética indica que a clonagem "representa um marco na história do Homem, a fronteira entre a procriação sexual e assexuada e o primeiro passo rumo ao controlo genético da geração futura".
 

 

"Isso levanta várias consequências perturbadoras para as crianças, a família e a sociedade", escreveu o presidente Leon Kass numa carta que acompanha o relatório, datado de 10 de Julho, e que surge após seis meses de trabalho.
 

 

Decisão sem unanimidade
 

 

O comité não foi unânime nas conclusões éticas e nas recomendações que devem guiar a política governamental, disse.
 

 

"Mas foi unânime em considerar que a clonagem para produzir crianças não é ética, não deve ser experimentada e deve ser absolutamente proibida pela lei federal, mesmo se estiver na origem da experiência ou se estiverem a ser utilizados fundos federais", acrescentou.
 

 

No entanto, a clonagem para a investigação biomédica dividiu as opiniões.
 

 

Uma minoria de sete peritos, escreveu Kass, "desejosos que a ciência avance, recomendaram que seja autorizada a continuação da investigação biomédica, mas enquadrada por regulamentos federais estritos".
 

 

No entanto, uma maioria de dez membros, "convencidos que nenhuma clonagem humana deve ser autorizada, pelo menos por enquanto, recomendou, no quadro de uma lei, a proibição por quatro anos da investigação biomédica, aplicável a todos os investigadores, mesmo que sejam utilizados fundos federais".
 

 

A maioria dos conselheiros pediu uma revisão da política federal no que diz respeito à investigação em geral sobre o embrião humano e a investigação genética, "com o objectivo de fazer recomendações e construir uma verdadeira política ética neste domínio".
 

 

Na tarde de quinta-feira, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, indicou que o presidente Bush "espera que as reflexões dos membros do comité iniciem um grande debate nacional sobre esta importante questão".
 

 

Sim à medicina moderna e à dignidade humana
 

 

"Existe uma grande confiança na criatividade e no potencial da ciência e da medicina moderna. Ao mesmo tempo, devemos assegurar que os avanços da tecnologia biomédica não sejam nunca conseguidos às custas da dignidade humana", acrescenta o comunicado.
 

 

A Câmara dos Representantes, de maioria republicana, adoptou em Julho de 2001 um texto bastante restritivo considerando como crime a clonagem humana.
 

 

No entanto, um projecto de lei apresentado em Abril por senadores democratas e republicanos, e apoiado pela comunidade científica, proibiu-a mas manteve a excepção da investigação biomédica.
 

 

O presidente Bush "pressiona o Senado a seguir o exemplo da Câmara dos Representantes e se pronuncie contra toda a clonagem humana", acrescenta o comunicado da Casa Branca.
 

 

Hoje, numa entrevista publicada pelo jornal francês Liberation, o ginecologista italiano Severino Antinori afirmou que um primeiro bebé criado a partir de um embrião clonado poderá nascer em Dezembro.
 

 

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Fonte: Lusa

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