Comer sem engordar...

O segredo pode estar num gene

12 agosto 2002
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Um grupo de cientistas criou um rato geneticamente modificado que come tudo o que se lhe dá sem engordar nem ter diabetes.
 

 

Um estudo que a revista Proceedings, da Academia Nacional das Ciências (PNAS) dos Estados Unidos, publica terça-feira indica que os cientistas descobriram que ao retirarem ao rato um gene, conhecido como SCD-1, o animal podia comer uma dieta rica em gorduras e escapar às consequências do armazenamento da gordura e do excesso de açúcar no sangue, principais causas da diabetes tipo II.
 

 

O trabalho foi desenvolvido por uma equipa da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA), liderada por James Ntambi, professor de bioquímica e ciências nutricionais.
 

 

A descoberta, afirmou Ntambi, traz uma nova perspectiva sobre os mecanismos genéticos centrais que regulam a dieta e o metabolismo.
 

 

Ou seja, um dia poderá ser possível produzir medicamentos que protejam eficazmente contra a diabetes e a obesidade.
 

 

O gene SCD-1 produz uma enzima conhecida como SCD que é utilizada pelo corpo para produzir os ácidos gordos.
 

 

Os cientistas comprovaram que os ratos modificados de forma a não terem o gene SCD-1 desafiaram as tentativas de os engordarem.
 

 

"O objectivo era torná-los gordos mas, apesar de lhes ter sido dada uma dieta com 15 por cento de gordura, isso não aconteceu", afirmou Ntambi.
 

 

Dieta rica em gorduras
 

 

Os investigadores descobriram que ao alimentarem estes animais com uma dieta rica em gorduras durante semanas, os ratos não acumulavam a gordura.
 

 

Em vez disso, o excesso de gordura pareceu entrar no metabolismo.
 

 

"Temos evidências bioquímicas de que os ratos queimaram o excesso de gordura", afirmou Ntambi.
 

 

Por outro lado, apesar dos níveis de glicose no sangue subirem depois de comerem, os ratos não desenvolveram diabetes.
 

 

Os animais de controlo, ou seja os ratos que mantiveram o gene SCD-1, alimentados com a mesma dieta ganharam peso e registaram altos níveis de glicose no sangue durante longos períodos de tempo.
 

 

"Ambos os factores estão relacionados. Muitas pessoas que são diabéticas têm a doença devido à acumulação de gorduras. É isso que causa a resistência à insulina e mantém altos os níveis de glicose na corrente sanguínea", explicou.
 

 

 

Gene SCD-1
 

 

O gene humano equivalente ao SCD-1 nos ratos já foi detectado e a equipa de Ntambi está actualmente a estudar a sua função.
 

 

Nos ratos, a eliminação do gene SCD-1 repercutiu efeitos secundários, tendo os cientistas observado problemas de pele e de visão à medida que os animais envelheciam.
 

 

No entanto, um estudo paralelo (dos mesmo autores) mostrou que os ratos modificados geneticamente com apenas metade dos níveis da enzima pareceram desenvolver-se normalmente, não se mostrando afectados por efeitos secundários.
 

 

Estas conclusões sugerem, segundo Ntambi, que pode ser possível desenvolver medicamentos para suprimir os ácidos gordos produzidos pelo SCD-1 e conferir protecção contra a obesidade e talvez a diabetes, minimizando ou eliminado os efeitos secundários.
 

 

As fotografias dos ratos gordos e magros (com e sem o gene SCD- 1) podem ser vistas na Internet, no endereço http://www.news.wisc.edu/newsphotos/ntambi.html.
 

 

Fonte: Lusa
 

 

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