Comer peixe faz bem ao coração

Novos estudos confirmam ligação

10 abril 2002
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Novas investigações confirmaram os benefícios dos ácidos gordos polinsaturados omega-3, presentes no peixe, na prevenção da morte súbita por ataque cardíaco.
 

 

Vários estudos publicados esta semana nos Estados Unidos detalharam a ligação entre uma alimentação rica em ácidos gordos essenciais e uma redução da mortalidade causada por episódios de aceleração (taquicardia) ou de arritmia (fibrilhação) do músculo cardíaco, responsáveis por 50 por cento de mortes em consequência de doenças coronárias e por 15 a 20 por cento por paragem cardíaca.
 

 

Os ácidos gordos polinsaturados são os maiores constituintes dos fosfolípidos, moléculas que se encontram na massa cinzenta do cérebro.
 

 

Estes ácidos são indispensáveis à manutenção de uma boa flexibilidade das membranas celulares e ao bom desenvolvimento da retina e do esperma.
 

 

Uma vez que não são sintetizados pelo organismo, estes ácidos gordos são chamados essenciais e devem ser imperativamente fornecidos ao organismo ou através da alimentação ou de suplementos.
 

 

Dois deles, o ácido eicosapentanóico (EPA) e o ácido docosahexenóico (DHA), desempenham um papel particularmente importante.
 

 

 

Peixes dos mares frios
 

 

Estudos em animais demonstraram que contribuem para estabilizar electricamente as células cardíacas contrácteis, impedindo o início e a propagação da taquicardia e, logo, da paragem cardíaca.
 

 

Estes ácidos encontram-se principalmente nos peixes gordos dos mares frios (arenque, salmão, atum, espadarte).
 

 

O organismo pode obtê-los também por conversão metabólica do ácido alfa-linoleico, presente nos óleos vegetais (nomeadamente na colza) e nas nozes.
 

 

O primeiro destes estudos, publicado quinta-feira no New England Journal of Medicine (NEJM), foi realizado em 278 homens que não sofriam de qualquer doença cardíaca e que foram vigiados durante 17 anos por uma equipa dirigida por Christine Albert, da Universidade de Harvard.
 

 

 

Redução de riscos
 

 

Os investigadores aperceberam-se de que a concentração de ácidos gordos omega-3 no sangue era inversamente proporcional ao número de óbitos por morte súbita cardíaca.
 

 

Entre os indivíduos que comiam mais peixe (duas vezes por semana), a redução de riscos era da ordem dos 81 por cento.
 

 

"O que é novo no nosso estudo é que nos interessámos pelo fenómeno da morte súbita cardíaca em pessoas com boa saúde, enquanto os anteriores trabalhos foram realizados com indivíduos com problemas cardíacos", explicou Albert.
 

 

Ora, 50 por cento das pessoas que morrem subitamente por paragem cardíaca não têm nenhum antecedente deste tipo de doenças, daí a importância dos ácidos gordos na prevenção primária.
 

 

Um segundo estudo, realizado por uma equipa de investigadores italianos e publicado quarta-feira na revista Circulation, confirmou os efeitos protectores dos ácidos gordos omega-3 na prevenção secundária.
 

 

Neste caso, um grupo de doentes que já tinha sobrevivido a enfartes do miocárdio tomou suplementos sob a forma de geleia de óleos de peixe correspondentes a uma toma diária de um grama de ácidos gordos oméga-3 (equivalente a duas refeições de peixe por semana), enquanto um segundo grupo tomava placebo.
 

 

Três meses depois, os investigadores constataram uma redução de 42 por cento das mortes súbitas no primeiro grupo.
 

 

Fonte: Lusa

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