Comer combate naturalmente o stress

Perturbações alimentares não resolvem a ansiedade

17 setembro 2003
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Procurar comidas calóricas como chocolates e hambúrgueres e cultivar uma certa «barriguinha» podem ser mecanismos naturais do corpo para combater os elevados níveis de stress que a sociedade actual impõe, segundo cientistas da Universidade da Califórnia em San Francisco, nos EUA.
 

Segundo os cientistas, o processo de acumulação de gordura ameniza esse stress agudo.
 

 

A pesquisa, publicada na versão on-line da Pnas (Proceedings of the National Academy of Sciences), concentrou-se na actuação de uma hormona, o glicocorticóide esteróide, que tem um papel determinante no mecanismo de respostas ao stress.
 

 

Em testes com ratinhos, os pesquisadores notaram que, 24 horas após enfrentarem uma situação stressante, os animais foram motivados por essa hormona e procuram actividades prazerosas, como por exemplo ingerir muita comida calórica. Com isso, desenvolvem gordura abdominal, e a resposta estimulada pela hormona acaba por se enfraquecer.
 

 

Os investigadores desconfiam que o mecanismo que interrompe o processo de stress possa estar nos depósitos de gordura. Este facto, segundo os cientistas, explica as razões pelas quais é tão difícil perder peso, situação que normalmente deixa a pessoa ansiosa.
 

 

O problema é que esse mecanismo corporal deveria ser usado apenas em situações extremas de stress, dado que está presente no corpo para enfrentar situações extremas de sobrevivência, quando a obtenção de alimento é difícil e há gastos de energias.
 

 

No mundo actual, no qual alimentos calóricos são mais facilmente conseguidos, o mecanismo de compensação de stress não mudou e as situações stressantes estão no dia-a-dia das pessoas, com a diferença de que a sociedade impõe «proibições» à reacção instintiva que seria natural, como a questão da boa forma física.
 

 

Se esse processo se repete com muita frequência, provoca efeitos como ganho ou perda de peso, depressão, obesidade - associada à diabetes de tipo 2 e a acidentes vascular cerebral - e perda de tecido cerebral.
 

 

É que, dizem os cientistas, a curto prazo, se possui um stress crónico, pode compensá-lo a comer e dormir um pouco mais para se acalmar à custa de ganhar alguns quilos, mas procurar uma solução de longo prazo nessa satisfação com a comida não é nada saudável. A solução passa por resolver o seu problema de stress ou a sua relação com a fonte desse stress.
 

 

O estudo pode ajudar a entender os mecanismos de compulsão por alimentação em pessoas com stress, ansiedade ou depressão, bem como explicar o comportamento de pessoas bulímicas.
 

 

Para evitar o stress, os investigadores recomendam que as pessoas procurem outras formas, como exercícios físicos, yoga, meditação, sexo e banhos, actividades associadas ao prazer. Drogas e álcool, por outro lado, não cortam os mecanismos de stress, pelo contrário, ampliam a compulsão por prazer.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

 

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