Comer às escuras...

Pouca luz à hora da refeição torna as pessoas mais propensas a comer em excesso

08 fevereiro 2002
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Imagina-se sentado à mesa, com os olhos postos em pratos deliciosamente confeccionados, mas com uma fraca iluminação ou iluminado pelos tradicionais castiçais que conferem ao espaço um tom romântico...Pois é, até pode parecer um dos cenários dos seus sonhos. Mas, dizem os cientistas, quem prefere tomar as refeições em ambientes com pouca luz pode ter uma propensão maior a comer mais.
 

 

Por isso, se quer emagrecer deve garantir que a sala de jantar está bem iluminada: Acenda todas as luzes, use lâmpadas mais brilhantes, abra as cortinas e os estores das janelas, coloque a iluminação do ambiente de forma a dar mais luz ou até pondere em mudar para uma sala mais clara.
 

E se, por acaso, já está em dieta, leve a sério as condições de iluminação do local onde come, avisa o líder deste estudo, Joseph Kasof, da Universidade da Califórnia, em Irvine.
 

 

É que, segundo o investigador, a probabilidade de aderir ao regime alimentar é maior se a iluminação for mais brilhante. “Comer em ambiente com pouca luz, mesmo que seja apenas um bocadinho mais escuro, pode aumentar o risco de derrapar e esquecer a dieta ".
 

 

 

 

Dietas no Inverno
 

 

Mas, se decidiu iniciar uma dieta durante este Inverno, fique a saber que é mais difícil de ser bem sucedido.
 

Não pela incapacidade de empenho de cada pessoa melhorar, mas porque "a luz naturalmente baixa torna mais difícil o sucesso da dieta no Inverno em comparação com os outros períodos do ano", afirmou o investigador.
 

 

Para que alguém consiga cumprir um regime alimentar para emagrecer, o mais inteligente, segundo o especialista, é iniciá-lo na Primavera ou durante o Verão.
 

E se é daqueles que gosta de viver mais durante a noite, fique a saber que, segundo Kasof, essas podem ter um risco maior de comer excessivamente. "Dormir e acordar cedo faz a pessoa comer com mais sensibilidade".
 

 

Resultados do estudo
 

 

Para verificar se a baixa luminosidade estava associada a comportamentos bulímicos de pessoas sob dieta, Kasof realizou dois estudos: um com 245 e outro com 156 alunos do ensino superior, respectivamente. Em cada grupo, cerca de um em cada cinco estudantes apresentava excesso de peso.
 

 

Os resultados dos trabalhos indicaram que, entre os voluntários muito preocupados com o peso e a forma física - por exemplo, admitiram estar "preocupados com o desejo de serem mais magros" -, aqueles que preferiram comer num local com menos luz foram mais propensos a pensar no assunto e a comer excessivamente.
 

 

"Por vezes, o efeito desinibidor da luz fraca ajuda-nos a ser o que queremos", disse Kasof. "No entanto, uma luz de menor intensidade tem um lado mau: quando desejamos inibir os nossos impulsos destrutivos (por exemplo, comer quando não se tem fome), a pouca luminosidade afasta-nos das nossas inibições saudáveis e livra-nos de muitos constrangimentos que procuramos deliberadamente".
 

 

Os resultados do estudo ficaram mais reais quando os cientistas avaliaram a possível existência de paranóias e depressões entre os voluntários - ambas associadas aos sintomas de bulimia e à preferência de luz durante a refeição.
 

 

Entre os estudantes com maior restrição alimentar que participaram no segundo estudo, aqueles que preferiam luz fraca à hora da refeição tiveram uma tendência maior a pensar sobre a questão e a envolver-se num tipo de alimentação excessiva.
 

 

Ao analisar a preferência de luz de 12 alunos universitários, com distúrbios alimentares, a equipa descobriu que estes estudantes preferiam comer sob iluminação mais fraca - em comparação com os seus pares não-bulímicos.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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