Combinação de frutose e glicose faz reduzir longevidade?

Estudo publicado na “Journal of Nutrition”

09 janeiro 2015
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Um estudo sobre ratinhos indicou que a mistura de frutose e glicose, típica do xarope de milho com elevado nível de frutose, exerce efeitos tóxicos sobre a saúde.
 

O estudo, conduzido pela Universidade de Utah, EUA, decorreu ao longo de 40 semanas. Neste período, os ratinhos foram alimentados com uma dieta saudável em que 25% das calorias eram provenientes de monossacarídeos de frutose e glicose ou de sucrose. Após aquele período, todos os roedores foram alimentados com uma dieta que incluiu monossacarídeos de frutose e glicose.
 

Os ratinhos fêmea, que tinham seguido a dieta com frutose e glicose desde o início do estudo, demonstraram índices de mortalidade 1,87 vezes superiores aos das fêmeas, a quem  tinha sido fornecida a dieta com sucrose. Aqueles roedores tiveram também 26,4% de crias a menos que os ratinhos do grupo da sucrose.
 

Nos ratinhos macho não se verificaram diferenças na reprodutividade, sobrevivência e comportamento territorial entre ambas as dietas. No entanto, um estudo conduzido em 2013 demonstrou que ratinhos macho apresentavam menos 25% de capacidade de manter o seu território e se reproduzir após terem seguido uma dieta com frutose e glicose em comparação com uma dieta que incluía amido.
 

Wayne Potts, autor do estudo, considera que este achado “sugere que a sucrose é tão má para os machos como o xarope de milho rico em frutose”. O investigador propõe que a dieta de frutose e glicose poderá afetar mais as fêmeas do que os machos, já que aquelas passam por uma grande descida de energia durante este tipo de estudos, causada por voltarem a reproduzir-se logo após terem dado à luz.
 

Os investigadores consideram que os efeitos díspares nos ratinhos fêmea do grupo da dieta com frutose e glicose devem ter ocorrido antes ou na altura em que os monossacarídeos foram absorvidos pela corrente sanguínea. “Sendo assim, especulamos que os diferentes açucares favorecerão diferentes micróbios no sistema digestivo dos ratinhos. Outro estudo demonstrou que diferenças em comunidades de bactérias no sistema digestivo estão associadas a doenças metabólicas em roedores e humanos. É possível que uma forma de açúcar faça com que mais bactérias se desbloqueiem no sistema digestivo do que outras” adiantou James Ruff, primeiro autor do estudo.

 

Não há garantia que esta descoberta se traduza em benefícios para os humanos. No entanto, a mesma serve para demonstrar os efeitos dos açúcares adicionados na dieta sobre os sistemas biológicos.
 

Nos EUA estima-se que até um quarto da população consuma uma dieta em que 25% das calorias advêm de açúcares adicionados. James Ruff adianta que 44% dos açúcares adicionados são sucrose, 42% xarope de milho rico em frutose e 14% outras combinações. No entanto, apenas 8% dos açúcares adicionados nas dietas consiste globalmente em xarope de milho rico em frutose.
 

Torna-se assim importante debater os perigos do consumo da frutose e da sucrose devido à sua associação a alterações na saúde pública: aumentos da diabetes, síndrome metabólica e obesidade.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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