Combinação de fármacos consegue eliminar o vírus da hepatite C

Estudo publicado no “New England Journal of Medicine”

05 abril 2011
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Uma combinação de três fármacos pode eliminar o vírus da hepatite C de forma mais eficaz que o actual tratamento com dois medicamentos, de acordo com um estudo realizado por especialistas do Hospital Henry Ford em Detroit, EUA, e publicado na revista “New England Journal of Medicine”.

 

“Este estudo representa um grande avanço e uma possível cura para pessoas com hepatite C que não responderam à terapia anterior. Em breve teremos um novo padrão de tratamento para pacientes com hepatite C. Este estudo abre uma nova era de desenvolvimento farmacológico que proporcionará uma variedade de agentes antivirais para tratar a hepatite C", explicou assim o autor do estudo, Stuart C. Gordon, em comunicado enviado à imprensa.

 

A maioria das pessoas infectadas com hepatite C permanece sem sintomas durante anos. Quando os sintomas da doença hepática avançada acontecem, muitas vezes é tarde demais para oferecer os actuais tratamentos. A infecção pode causar cicatrização do fígado (cirrose), cancro do fígado ou a necessidade de um transplante. Actualmente não há vacina para a hepatite C.

 

Os investigadores distribuíram aleatoriamente os pacientes em três grupos. Em todos os grupos, os pacientes receberam o tratamento padrão com os fármacos peginterferão e ribavirina durante quatro semanas. Um grupo controlo (grupo 1) continuou a receber esta combinação de fármacos durante 44 semanas, o grupo 2 também recebeu boceprevir durante 32 semanas e os pacientes com níveis detectáveis de vírus da hepatite C na oitava semana de tratamento recebeu placebo mais peginterferão e ribavirina durante 12 semanas adicionais; e o grupo três recebeu boceprevir mais ribavirina peginterferão durante 44 semanas.

 

O boceprevir é um inibidor da protease, uma nova classe de agentes antivirais de acção directa que inibe especificamente a replicação do vírus da hepatite C.

 

Os resultados mostraram que a taxa de resposta virológica sustentada  níveis indetectáveis do vírus seis meses após o fim do tratamento foi significativamente maior nos grupos que usaram boceprevir que no grupo controlo. Entre os pacientes com níveis indetectáveis do vírus em tratamento às oito semanas, a taxa de resposta virológica sustentada foi 86% após 32 semanas de terapia tripla e de 88% após 44 semanas de terapia tripla. A resposta virológica sustentada geralmente traduz-se na erradicação a longo prazo do vírus ou cura.

 

"Podemos concluir que o boceprevir, quando adicionado à peginterferão e ribavirina, conduz a elevadas altas taxas de resposta virológica sustentada em pacientes de difícil tratamento", concluiu o autor do estudo.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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