Combater Parkinson com terapia genética

Cientistas injectam genes no cérebro

10 outubro 2002
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Investigadores norte-americanos vão recorrer pela primeira vez à terapia genética para combater a doença de Parkinson, planeando injectar genes que produzem um neuroquímico vital para o cérebro dos doentes.
 

 

A Food and Drug Administration (FDA), entidade responsável pela introdução de novos medicamentos ou tratamentos nos EUA, aprovou a aplicação da terapia experimental em 12 doentes.
 

 

A aprovação foi baseada, em parte, nos resultados de um estudo laboratorial que vão ser publicados sexta-feira na revista Science.
 

 

Michael Kaplitt, investigador da doença de Parkinson no Weill Medical College na Universidade de Cornell (Nova Iorque), afirmou que o ensaio com terapia genética vai começar no final deste ano, envolvendo doentes que esgotaram todos os meios tradicionais de terapia.
 

 

Kaplitt e Matthew During são os principais autores do estudo publicado pela Science, no qual os investigadores demonstraram em ratos que a transferência do gene que produz um químico cerebral pode melhorar significativamente os sintomas do Parkinson e abrandar a progressão da doença.
 

 

Os investigadores afirmam que a técnica também já foi testada em macacos com resultados encorajadores mas ainda não publicados.
 

 

Vírus benigno
 

 

No ensaio, os investigadores colocaram num vírus benigno um gene que produz um químico cerebral chamado GABA. Este químico actua numa parte do cérebro designada por núcleo subtalámico, ou STN, para acalmar ou inibir os movimentos motores do corpo.
 

 

Esta parte do cérebro apresenta muito baixos níveis de GABA nos doentes com Parkinson, o que provoca os sintomas característicos da doença: tremores, andar hesitante e tendência para "congelar" de repente em movimento.
 

 

Em ratos geneticamente alterados para desenvolverem Parkinson, os investigadores injectaram o vírus manipulado na parte afectada do cérebro. Este vírus, transportando o gene responsável pela produção de GABA, moveu-se pelo STN e fez com que as células começassem a produzir o neuroquímico em falta.
 

 

O efeito foi rapidamente visível nos ratos. Segundo os investigadores, o controlo dos movimentos melhorou em todos os animais e cerca de metade registaram melhorias consideráveis.
 

 

A doença de Parkinson, que afecta uma em cada cem pessoas com mais de 60 anos, destrói os neurónios que fazem o cérebro produzir um químico cerebral chamado dopamina. Este químico actua como um transmissor de sinal entre a rede cerebral de neurónios.
 

 

Fonte: Lusa
 

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