Combater infeções pode implicar proibição de certos objetos pelos médicos

Anéis, pulseiras e batas podem ser veículos de transmissão

04 novembro 2013
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No âmbito do combate às infeções e resistência aos antibióticos, o governo admite proibir os médicos de utilizarem anéis, pulseiras, alianças ou gravatas.
 

Há um conjunto de instrumentos - anéis, pulseiras, alianças - que “sabemos que são potenciais veículos de transmissão”, com os quais “as minhas colegas insistem, muito alindadas, em ir trabalhar”, referiu o secretário de Estado e Adjunto da Saúde, Fernando Leal da Costa.
 

De acordo com este médico de formação, os riscos estão ainda associados à “gravata nos cavalheiros [médicos], os estetoscópios que se insiste em transportar por todo o lado, as batas com que se almoça e janta nos refeitórios e com que, a seguir, se veem doentes”.

 

Fernando Leal da Costa defende que talvez não seja necessário a proibição deste tipo de indumentária nos serviços de saúde, mas deixa um aviso: “Não teremos dificuldade em fazê-lo”.

 

Para o secretário de Estado, devem ser os conselhos de administração a criar medidas e a promover “uma cultura pró-ativa que envolva todos os profissionais, no sentido destes terem instituições limpas”. E lembrou que os níveis de infeção hospitalar já influenciam os orçamentos das instituições.
 

Fernando Leal da Costa assumiu a gravidade das infeções e resistência aos antimicrobianos em Portugal, embora reconheça que, em alguns casos, a situação melhorou.
 

No conjunto de bactérias que constitui particular preocupação em termos de aquisição de resistência a antimicrobianos, “Portugal apresenta uma crescente taxa de resistência do Staphylococcus aureus à meticilina, sendo nesta altura o país europeu com mais elevada taxa”.
 

De acordo com o relatório do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos, da Direção Geral da Saúde (DGS), Portugal é também um dos países europeus com elevada taxa de resistência do Enterococcus faecium à vancomicina.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que os autores do documento alertam para o facto de os antibióticos estarem “em risco de extinção”.
 

“A crescente taxa de resistência dos microrganismos, associada ao decréscimo da síntese e desenvolvimento de novas classes de antimicrobianos leva a que o antibiótico, menos de cem anos após a descoberta da penicilina e após ter contribuído para um marcado aumento da esperança de vida média, esteja em risco de perda de eficácia”, refere o relatório.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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